Empresas portuguesas nunca deixaram Moçambique e querem aproveitar oportunidades diz Governo
O secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, afirmou hoje em Maputo que as empresas portuguesas nunca deixaram Moçambique, mesmo nos momentos "mais difíceis", e que pretendem aproveitar as oportunidades do gás, cabendo ao Governo apoiar.
"As empresas portuguesas têm dito isto: mesmo nos momentos mais difíceis nunca deixaram Moçambique, continuaram cá, atravessaram esses momentos de maior dificuldade, outros de crescimento, e é isto que vão continuar a fazer", disse o governante, à margem do Fórum Empresarial Portugal-Moçambique 2026, que decorre em paralelo com a 61.ª Feira Internacional de Maputo (Facim).
"Cabe-nos a nós, enquanto política pública e instituições de apoio às nossas empresas, encontrar os melhores mecanismos, não só de apoio à exportação, porque se calhar essa vai aparecer um pouco mais à frente, mas sobretudo de apoio ao desenvolvimento dos projetos de investimento locais", enfatizou João Rui Ferreira, dando como exemplo as linhas de apoio à internacionalização e à exportação que estão a ser criadas.
O governante reconheceu que 2025, ainda marcado pelas manifestações pós-eleitorais em Moçambique, foi um ano "difícil", mas que o país já entrou numa "nova perspetiva de otimismo e de confiança".
"Não vi, de facto, nenhum empresário querer abandonar, baixar os braços, desistir. Todos eles complementaram aquilo que é também uma vontade de continuar em Moçambique, porque muitos deles têm a sua vida já cá estruturada, apesar dessa grande ponte com Portugal, mas senti essa mensagem de otimismo", destacou, em balanço da visita.
Além de ser uma porta para o mercado da África Austral, recordou os investimentos nos megaprojetos de gás natural, que prometem tornar Moçambique num dos maiores produtores do continente dentro de dois anos.
Para isso, garantiu João Rui Ferreira, Portugal está pronto para as próximas duas fases desse novo desenvolvimento de Moçambique.
"Uma primeira, e sentimos que os próximos dois anos vão ser anos de alguma resiliência, em que vamos ter oportunidades do ponto de vista do investimento e das infraestruturas, e Portugal tem condições importantes para isto, do ponto de vista da engenharia e daquilo que é o nosso conhecimento", destacou, garantindo que Portugal pode ser um "parceiro importante" e aproveitar essas externalidades.
"Porque todos estes grandes projetos de investimento precisam de uma execução física, prática, e nós temos as empresas portuguesas bem posicionadas para isto", sublinhou o secretário de Estado da Economia de Portugal.
O segundo momento, elencou, surgirá com o início da produção e exportação de gás natural, face às previsões oficiais de crescimento económico de Moçambique a dois dígitos por ano.
"Quando estes investimentos estiverem já em produção e em cruzeiro, haverá um impacto no crescimento da economia de Moçambique e aí um potencial de aumento do rendimento e do PIB, que também dará potencial para a exportação dos nossos bens transacionáveis, sempre numa lógica de grande complementaridade e cooperação", disse.
Em todo este processo, reconheceu que os empresários, incluindo os portugueses, necessitam de "previsibilidade" e "segurança jurídica" para dar "confiança ao investimento", nomeadamente através do processo de reformas no país iniciado em 2025 pelo atual Presidente da República, Daniel Chapo.
"Essa agenda reformista é mais um elemento de reforço da confiança, aliás, num diálogo que tem existido também com o Governo português (...). Essa agenda reformista é uma vontade do senhor Presidente, é uma vontade do Governo e é uma vontade efetiva dos empresários verem-na concretizada", concluiu João Rui Ferreira.
Na edição de 2026 da Facim, que abriu na segunda-feira, com a presença do governante, participaram cerca de uma centena de empresas de capital português, entre quase 3.000 expositores.
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