Encontrada uma das caixas negras do Airbus

As autoridades já conseguiram localizar uma das caixas negras do Airbus A-320 que terça-feira à noite se despistou ao aterrar em São Paulo, causando a morte dos ocupantes e de um número indeterminado de pessoas em terra.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Entre os passageiros está confirmada a presença de um cidadão português, de acordo com declarações à Lusa de uma fonte da TAM, a companhia aérea a que pertence o avião, que fazia a ligação entre Porto Alegre e o Aeroporto de Congostas, em São Paulo.

As autoridades esperam que a caixa negra (que na realidade é cor de laranja para ser mais facilmente detectada) contenha dados que permitam explicar o que aconteceu quando o avião se despistou ao aterrar, atravessando a avenida Washington Luís, uma das mais movimentadas de São Paulo, antes de colidir com vários prédios e um posto de combustível, provocando uma explosão, seguida de incêndio.

Fontes dos bombeiros confirmaram não haver esperança de encontrar sobreviventes, tendo sido já resgatados 56 corpos de ocupantes do avião e de vítimas em terra.

O Governo português já apresentou as condolências às autoridades brasileiras pelo acidente aéreo ocorrido terça-feira, disse à Lusa fonte da secretaria de Estado das Comunidades.

A linha telefónica especial criada pela secretaria de Estado das Comunidades para dar informações relacionadas com o acidente recebeu durante a noite e madrugada "centenas de chamadas de pessoas preocupadas" com a localização de familiares no Brasil, adiantou a mesma fonte.

O governador de São Paulo, José Serra, anunciou que não havia esperanças de encontrar sobreviventes, uma vez que a temperatura no interior dos destroços do avião atingiu os 1.000 graus centígrados.

As autoridades evacuaram os edifícios daquela zona devido ao volume excessivo de fumo na área do aeroporto, pelo que os residentes nos edifícios das proximidades foram enviados para abrigos proporcionados pela Prefeitura de São Paulo, refere a Folha de São Paulo.

As aterragens e descolagens no Aeroporto de Congonhas estão suspensas, tendo os voos sido desviados para outros aeroportos. e as ruas das proximidades foram encerradas ao trânsito, situação que se deverá prolongar por todo o dia de hoje, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego, citada por aquele jornal.

O aeroporto, utilizado sobretudo para ligações internas, é dos mais movimentados do Brasil, com cerca de 600 voos diários.

O presidente brasileiro, Lula da Silva, decretou três dias de luto pelas vítimas do acidente e cancelou a sua agenda para hoje, mantendo-se em reunião com uma equipa restrita de conselheiros e ministros.

Este foi o mais grave acidente aéreo registado no Brasil e o segundo grande desastre com aviões no país em menos de um ano.

Em Setembro, um Boeing 737 das linhas aéreas Gol colidiu em pleno voo com um jacto executivo sobre a floresta do Amazonas, provocando a morte dos 154 passageiros e tripulantes a bordo, enquanto o jacto executivo conseguiu aterrar em segurança.

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