Encontro sino-nipónico foi "muito positivo"
O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, declarou hoje em Jacarta que teve um "encontro muito positivo" com o presidente chinês, Hu Jintao, num contexto de alta tensão entre Tóquio e Pequim.
No final do encontro, que não foi fácil de organizar devido à recente tensão entre os dois países e cujas relações diplomáticas estão no mais baixo nível dos últimos 30 anos, Hu Jintao declarou que a política chinesa de cooperação amigável com o Japão "mantem-se inalterada".
"Apesar das actuais dificuldades entre a China e o Japão, a política da China de preservar e de desenvolver uma cooperação amigável com o Japão mantém-se inalterada", afirmou Hu.
Hu adiantou ainda que "consolidar e desenvolver uma cooperação amigável é um desejo partilhado pelas populações chinesa e japonesa".
Os dois líderes encontraram-se durante cerca de 50 minutos à porta fechada num hotel próximo do local onde decorreu a Cimeira Afro- Asiática para comemorar o cinquentenário da Conferencia de Bandung.
Com este encontro, os dois responsáveis tentaram diminuir a animosidade das últimas semanas e restabelecer os danificados laços diplomáticos, que provocaram o congelamento de contratos japoneses na China.
Hu e Koizumi tinham estado na mesma sala do centro de convenções de Jacarta na sexta-feira de manhã mas sem entrar em contacto, mesmo visual.
O presidente chinês deverá ainda reunir-se com o secretário- geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, cuja colaboração foi fundamental para se poder realizar o encontro com Koizumi.
Entretanto, em Tóquio, cerca de 200 pessoas manifestaram-se hoje no bairro central de Shinjuku contra as violências anti-japonesas na China, anunciaram os "média".
Esta manifestação é a primeira do tipo que se realiza em Tóquio desde que começou a grave crise diplomática entre os dois gigantes asiáticos há três semanas.
Empunhando a bandeira nipónica, os manifestantes desfilaram a gritar "Queremos desculpas do governo chinês" e "Stop à educação anti- japonesa".
Violentas manifestações anti-japonesas eclodiram nas últimas semanas na China depois de Pequim ter acusado Tóquio de minimizar as atrocidades cometidas pelas tropas imperiais nipónicas entre 1931 e 1945.
Muitos japoneses estão persuadidos de que é o regime de Pequim que está a instrumentalizar o nacionalismo chinês, alimentando a xenofobia anti-japonesa para substituir uma ideologia marxista- leninista em declínio.