Entregue à justiça lista de 892 sérvios ligados ao massacre Srebrenica

A República Srpska (RS) indicou hoje ter entregue à justiça bósnia uma lista de 892 sérvios bósnios ligados ao massacre de perto de 8.000 muçulmanos em Srebrenica em 1995 e actualmente funcionários de organismos administrativos.

Agência LUSA /

"Uma comissão governamental identificou 892 pessoas" ligadas ao massacre de Srebrenica (leste da Bósnia) e que são funcionários da administração a nível autárquico, bem como em estruturas da RS (entidade sérvia na Bósnia) ou do Estado bósnio, declarou aos jornalistas a porta-voz do governo da RS, Cvijeta Kovacevic.

"O relatório desta comissão foi entregue ao Ministério Público (da Bósnia), bem como ao gabinete do Alto Representante da Comunidade Internacional", Paddy Ashdown, acrescentou Kovacevic, explicando não poder revelar nomes enquanto o Ministério Público não se pronunciar.

Por seu lado, o governo da RS - entidade sérvia que forma com a Federação croato-muçulmana a Bósnia do pós-guerra (1992-1995) - afirma em comunicado que, através deste gesto, "prova a determinação no cumprimento de todas as obrigações para esclarecer o que se passou em Srebrenica em Julho de 1995".

"O governo espera que as instituições que receberam este relatório, tenham em conta, na adopção de medidas (relativamente às pessoas incluídas na lista), todas as circunstancias que levaram à implicação destas pessoas nos acontecimentos de Srebrenica", acrescenta.

O exército, os serviços secretos, o ministério do Interior e os guardas fronteiriços contam-se entre as instituições abrangidas por este inquérito, lançado em meados de Janeiro pelo governo da República Srpska.

Num relatório publicado em 2004, o governo da RS admitiu que perto de 8.000 muçulmanos foram mortos pelas forças sérvias bósnias em Srebrenica, no final da guerra de 1992-1995.

Apesar de ter sido decretada zona de segurança pela ONU, o enclave de Srebrenica caiu, a 11 de Julho de 1995, nas mãos das forças sérvias da Bósnia e os capacetes azuis holandeses, encarregues da protecção do enclave, não conseguiram impedir os massacres.

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