Entrevista a Kati Marton. Putin está a testar o Ocidente pós-Angela Merkel

Entrevista a Kati Marton. Putin está a testar o Ocidente pós-Angela Merkel

Vladimir Putin está a testar o Ocidente pós-Angela Merkel com o que está a fazer na Ucrânia. Um medir de forças explicado em entrevista exclusiva à RTP pela escritora e jornalista Kati Marton, de origem húngara e naturalizada norte-americana, que durante quatro anos investigou o percurso pessoal e político da primeira mulher chanceler da Alemanha, cargo que assumiu até ao final de 2021.

António Mateus - RTP /
Marton sustenta que Merkel era “a única chefe de Estado respeitada por Putin” RTP

Marton revelou aspetos de uma personalidade por ela descrita como “a figura pública mais privada do planeta” e que analisa naquele que é o seu 10.º livro (agora publicado também em Portugal, pela Editora Desassossego): A Chanceler - A notável Odisseia de Angela Merkel.

“A sua abordagem calma e analítica, desenvolvida ao longo dos anos passados a estudar física, permitiu-lhe ter uma perspectiva a longo prazo da governação. Pondera as coisas a começar pelo fim, pelo resultado desejado e trabalha daí para trás”, sustenta a autora. ”O que importa é o que estará feito daqui a dois anos e não o que leremos nos jornais de amanhã”.Marton sustenta que Merkel era “a única chefe de Estado respeitada por Putin”.


“A sua relação mais longa e complexa no palco mundial foi com Putin. Os dois trabalharam como um mau casamento mas que se revelou crucial para o mundo porque ele a respeita. Falam literalmente ca mesma língua”.

Para a autora de origem húngara, mas naturalizada norte-americana, a antiga chanceler é hiperracional e pragmática, não deixa o ego interpor-se entre si e os resultados, “aprende com os seus erros por não ser uma ideóloga.
Entrevista na íntegra de António Mateus a Kati Marton, com imagem de Carlos Matias e Hugo Antunes

Identifica ainda em 2015 um ponto de viragem na governação da Alemanha por Merkel, altura em que o confronto directo com a crise dos migrantes trouxe à tona uma faceta humanista até aí imperceptível numa lider descrita como a “rainha da austeridade”.

A líder que lidara com pulso de ferro a crise das dívidas soberanas que sufocavam as economias de países como Portugal e, principalmente, a Grécia, perante a pandemia revelou-se a principal força promotora dos pacotes de recuperação económica.

Isto depois de ter aberto as portas da Alemanha a quase um milhão de migrantes, na sua larga maioria oriundos do Médio Oriente.

“Para entender como podemos proteger a democracia, numa era de agitação populista e autoritária, precisamos de entender Angela Merkel”, escreve sobre este livro Walter Isaacson, autor de The Code Breaker. “Kati Marton produziu um retrato íntimo e perspicaz de uma líder extraordinariamente discreta que, à sua maneira calma e determinada, fez da Alemanha a lider económica e moral da Europa”.
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