Enviado da União Africana acredita que situação política pode melhorar

Enviado da União Africana acredita que situação política pode melhorar

O enviado especial da União Africana (UA) para a Guiné-Bissau, o ex-primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada afirmou hoje em Bissau que "existe espaço para melhorar" a situação criada com o golpe de Estado de novembro passado.

Lusa /

Em declarações aos jornalistas, Trovoada fez um balanço de dois dias de contactos com as autoridades guineenses de transição, corpo diplomático, Comissão Nacional de Eleições (CNE), parceiros de desenvolvimento do país e ainda com líderes políticos, e disse que a missão ainda não terminou, mas pode ser considerada de êxito.

"O sentimento que tenho agora e até o momento da minha partida é que existe espaço para melhorarmos a situação", defendeu Patrice Trovoada, que espera ainda receber autorização para se encontrar com Domingos Simões Pereira, principal opositor ao regime de Bissau, antes de regressar a Adis Abeba, sede da União Africana.

O enviado especial da UA salientou que não se reuniu com Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente eleito do parlamento guineense, por este se encontrar em prisão domiciliária.

Patrice Trovoada afirmou ser necessário continuar a trabalhar "de maneira séria, com base nos princípios" para "fazer mexer as linhas" e desta forma, disse, "haverá resultados" com a colaboração de todos, principalmente, das autoridades instaladas com o golpe de Estado, notou.

O enviado especial destacou que se reuniu com diversas entidades internacionais, incluindo o embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, e que ainda se vai encontrar com o representante da União Europeia no país.

O ex-primeiro-ministro são-tomense realçou os princípios defendidos pela União Africana perante alterações inconstitucionais de regimes, mas destacou que "os problemas têm sempre uma razão" e que no caso presente da Guiné-Bissau é preciso compreender as motivações dos envolvidos.

O enviado especial da UA afirma que existe a vontade para o retorno à ordem constitucional.

"Levo a disponibilidade de todos, políticos, oficiais institucionais, sociedade civil, para que possamos todos contribuir para que a Guiné-Bissau regresse, o mais rapidamente possível, à normalidade constitucional e democrática de uma maneira também que seja credível e aceitável por todos", sublinhou Trovoada.

O responsável africano frisa que tudo terá de ser feito dentro de "clima de confiança e de contenção dos ânimos para que se possa dialogar" e desta forma preparar o país para eleições democráticas.

O Presidente guineense de transição, general Horta Inta-a marcou para 06 de dezembro eleições legislativas e presidenciais.

Quanto às reservas levantadas por setores da oposição quanto à sua imparcialidade na mediação da crise guineense, Patrice Trovoada afirmou que não tem comentários a fazer.

E sobre o governo de inclusão já proposto pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), como uma das saídas da crise, Trovoada disse ser preciso trabalhar sobre o que cada parte entende como inclusão.

Um autodenominado Alto Comando Militar protagonizou um golpe de Estado na véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, realizadas no dia 23 de novembro.

Os militares tomaram o poder, o Presidente cessante e candidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló, saiu do país, o candidato da oposição refugiou-se na embaixada da Nigéria, de onde saiu a 30 de janeiro, numa ação concertada com a CEDEAO (Comunidade Económico dos Estados da África Ocidental).

Os militares mudaram a Constituição, a lei dos partidos políticos e convocaram novas eleições gerais. 

Na sequência do golpe de Estado, a Guiné-Bissau foi suspensa das várias organizações de que é membro, nomeadamente a CEDEAO, União Africana e CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), que reclamam o regresso à normalidade constitucional para levantar a medida.

A CPLP cancelou uma missão de bons ofícios que tinha agendado para de 17 a 21 de fevereiro, depois da troca de acusações entre a Guiné-Bissau e Timor-Leste, que assumiu a presidência temporariamente da organização.

 

 

 

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