Enviado de Trump em Israel para tentar apaziguar divergências sobre Gaza
Jared Kushner, genro e enviado do Presidente Donald Trump, estará em Israel na próxima semana para tentar ultrapassar divergências entre os dois aliados sobre o plano norte-americano para a Faixa de Gaza.
Kushner viajará com Nikolai Mladenov, o principal representante para o território palestiniano no Conselho de Paz instituído por Trump, num périplo que além de Israel incluirá o Egito, um mediador fundamental.
Fonte do Conselho de Paz adiantou à agência France-Presse (AFP) que a viagem irá decorrer após o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter rejeitado publicamente, em 09 de agosto, o plano norte-americano de 15 pontos anunciado no final de julho por Mladenov, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada israelita da Faixa de Gaza.
Embora o Hamas tenha aceitado a proposta, Israel afirmou que vai condicionar qualquer retirada das suas tropas a um desarmamento "genuíno" do movimento islamita palestiniano.
Segundo fonte do Conselho de Paz, Kushner e Mladenov esperam "discussões construtivas" sobre o abrangente plano de paz de Donald Trump para a Faixa de Gaza, cujo primeiro marco foi o cessar-fogo declarado em outubro de 2025.
Desde então, os ataques israelitas diminuíram de intensidade, mas não cessaram por completo.
"Os Estados Unidos e Israel concordam com o resultado desejado em Gaza, ou seja, um Hamas desmilitarizado", frisou a mesma fonte, que falou sob condição de anonimato.
"Vamos ouvir as preocupações levantadas e discutir os próximos passos", acrescentou.
Uma versão inicial do plano para a Faixa de Gaza, divulgada pelo Conselho de Paz e aprovada pelo Hamas, previa uma retirada gradual de Israel de uma grande parte do território palestiniano.
No entanto, Mladenov recuou posteriormente, afirmando que Israel não necessitaria de retirar as suas forças até que o Hamas estivesse completamente desarmado.
Netanyahu, pressionado nas vésperas das eleições legislativas de outubro, cujo resultado parece incerto, prometeu que não haverá retirada e questionou a disponibilidade do Hamas para se desarmar, exigindo que destrua as suas armas de forma verificável.
O Hamas, por sua vez, insistiu que apoia o acordo.
"Continuamos a aguardar que os mediadores e o lado norte-americano pressionem Netanyahu e o seu governo para os obrigar a aderir ao plano", frisou à AFP Bassem Naim, membro do gabinete político do movimento islamista.
Naim exortou os Estados Unidos a "impedir a interrupção do processo de implementação do acordo de cessar-fogo por razões políticas e eleitorais".