Envolvimento de indígenas com uso e tráfico de cocaína na Amazónia preocupa autoridades

Brasília, 18 Mar (Lusa) - O envolvimento de indígenas brasileiros com a cocaína está a preocupar a Fundação Nacional do Índio (Funai), que alerta sobre o aumento do número de jovens viciados e a participação dessas comunidades da Amazónia no tráfico de drogas.

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De acordo com o administrador regional da Funai em Tabatinga, no Estado do Amazonas, Davi Félix Cecílio, a cocaína está presente em praticamente todas as 230 comunidades indígenas sob a sua jurisdição.

Citado hoje pela Agência Brasil, Cecílio informou que essas comunidades correspondem a um total de 54 mil índios.

Segundo o administrador, em algumas aldeias, um em cada cinco jovens indígenas está viciado em cocaína.

Davi Cecílio disse ainda que os traficantes estão a usar os índios para transportar a droga, um problema que foge à competência da Funai.

"Nós estamos no fim do Brasil, na faixa de fronteira. A invasão de traficantes dos países vizinhos, colombianos e peruanos, é constante. As pessoas envolvidas com drogas estão usando os índios Tikuna, Kokama, Kanbeba, Kaixana, Kanamari, Vitota como mulas, transportando as drogas", denunciou.

A Polícia Federal já foi informada dos factos pela Funai e chegou a realizar recentemente uma operação na aldeia de Umariaçu, onde vivem índios da etnia Tikuna, mas sem resultados efectivos.

Cecílio pretende que o governo brasileiro crie mecanismos para afastar a população indígena das drogas.

"É preciso oferecer alternativas como cursos profissionais", disse o administrador da Funai.

"Como administrador da Funai regional, trabalho preocupado com a situação que os meus parentes enfrentam hoje. Cada pai de família está preocupado com os filhos, porque eles estão se matando com a força da droga", acrescentou.

Na última sexta-feira, uma operação conjunta da polícia e do exército brasileiro localizou uma grande plantação de coca na região amazónica.

Foi a primeira vez que se detectou coca da variedade andina em território brasileiro, onde só se registrava a presença de outra planta similar, o epadu, que tem menor capacidade de produzir cocaína.

Segundo o sector de Relações Públicas do 8º Batalhão de Infantaria de Selva, foram retirados até o momento sete mil pés de coca daquela área.

CMC.

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