Epidemia de cólera em Angola controlada
O director provincial de Saúde de Luanda, Vita Vemba, desvalorizou o número diário de casos de cólera registados na capital angolana, assegurando que a epidemia "está controlada", apesar de recear as consequências das chuvas dos últimos dias.
"A situação está controlada. Um registo de três dezenas de casos de cólera num dia não significa nada quando estamos a falar de uma epidemia. Há países que chegam a registar 5.000 casos num só dia", afirmou Vita Vemba, em declarações à Agência Lusa.
O mais recente balanço da epidemia de cólera declarada em Luanda indica que, entre domingo e terça-feira, foram registados 90 novos casos, de que resultaram quatro vítimas mortais.
As mortes ocorreram no Sambizanga (3) e nas Ingombotas (1), os dois municípios de Luanda mais afectados pela epidemia, onde foram registados 78 dos 90 casos detectados naquele período.
No Sambizanga ocorreram 56 casos e nas Ingombotas 22, enquanto os restantes foram registados no Cazenga (9) e no Cacuaco (3).
No total, esta epidemia de cólera já registou 486 casos, que provocaram 17 mortes.
Vita Vemba admitiu, no entanto, que a situação poderá agravar- se nos próximos dias, como consequência das chuvas que têm caído na capital angolana.
"Com estas chuvas a situação pode complicar-se, porque a água pode facilitar que a doença se espalhe para outras áreas (ainda não afectadas)", afirmou o director provincial de Saúde.
Uma das preocupações das autoridades sanitárias reside, por exemplo, na eventual propagação da cólera do Rocha Pinto para a Samba, dois dos maiores bairros habitacionais da capital angolana.
Questionado pela Lusa sobre a possibilidade de virem a ser ministradas vacinas contra a cólera, Vita Vemba rejeitou essa hipótese, alegando a falta de eficácia dessa imunização.
"O Ministério da Saúde não usa a vacina contra a cólera, porque tem uma eficácia de protecção de apenas 35 por cento", salientou.
Segundo Vita Vemba, "as pessoas podiam pensar que estavam protegidas contra a cólera com a vacina e deixavam de respeitar os conselhos preventivos de higiene", o que poderia levar a um aumento do número de doentes.
"A melhor vacina é o respeito pelas regras de higiene", frisou.
O primeiro caso de cólera ocorreu a 13 de Fevereiro na zona da Boavista, tendo o governo angolano e a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarado uma epidemia em Luanda a 19 de Fevereiro.
No início da epidemia, a quase totalidade dos casos ocorreu na zona da Boavista, uma área do município das Ingombotas situada nas imediações do Porto de Luanda, mas depois os casos de cólera começaram a alastrar pela cidade e, nesta altura, todos os nove municípios de Luanda já registaram casos de cólera.
O município do Sambizanga é o que tem sido mais afectado nos últimos dias, mas as autoridades estão preocupadas com o crescente número de doentes no Cazenga, o mais populoso município de Luanda, com cerca de um milhão de habitantes, e o que apresenta maiores problemas ao nível do saneamento básico.
Para controlar a epidemia, foram criados três centros médicos de atendimento especializado e está a ser distribuída água potável à população das zonas mais afectadas.
As autoridades lançaram ainda uma intensa campanha de sensibilização e informação através dos meios de comunicação social e de equipas que percorrem os bairros da periferia de Luanda alertando para a necessidade de tratar a água antes de a consumir e de lavar frequentemente as mãos.
A cólera é uma doença altamente contagiosa que se transmite através da água, manifestando-se por vómitos e diarreia, que podem originar desidratação grave e, em casos extremos, a morte.