Epidemia de cólera motiva protestos no Haiti contra ONU

A epidemia de cólera no Haiti já fez 1.110 vítimas mortais e o número de internamentos ascende a 18 mil desde meados de Outubro, altura em que foi registado o primeiro caso no país. A doença já alastrou à vizinha República Dominicana, onde faleceu um haitiano de 32 anos. A menos de duas semanas das eleições presidenciais, a cólera está a motivar violentos protestos.

RTP /

Os haitianos atribuem o surto de cólera a soldados nepaleses que, em Outubro, incorporaram as forças da Organização das Nações Unidas (ONU) naquele país. Esta convicção deriva do facto de o vírus ter origem na Ásia e de a base nepalesa estar situada próximo do rio Artibonite, que é considerado o foco da epidemia.

Por seu lado, a ONU sublinha que todas as diligências para determinar uma relação entre a cólera e o acampamento do Nepal deram resultado negativo. A ONU sustenta que a violência nos protestos é incentivada por grupos extremistas, com vista ao boicote das eleições de dia 28.

Na segunda-feira, confrontos entre manifestantes nacionais e as forças da ONU vitimaram duas pessoas. Uma das mortes terá ocorrido quando as forças da ONU repeliam, “em legítima defesa”, um avanço armado dos populares em Cabo Haitiano, a 130 quilómetros de Port-au-Prince. Pelo menos 19 pessoas ficaram feridas, 15 por impacto de bala. A outra morte também foi quando a ONU desmobilizava um grupo de pessoas que queriam ocupar o heliporto de Quartier Morin.

As forças da ONU devem garantir a segurança nas eleições presidenciais, disputadas por 19 candidatos com experiências tão díspares como dois ex-primeiros-ministros, um empresário e uma antiga primeira dama. As sondagens não apontam um favorito.

Mais de 1100 pessoas morreram de cólera
O actual presidente, que deixa numerosos campos de desalojados pelo sismo do início do ano, apelou à calma. “Criar a desordem e a instabilidade não é nunca uma solução num país que atravessa momentos difíceis”, afirmou esta madrugada René Préval.

O Ministério da Saúde revelou hoje que, desde terça-feira, morreram 76 pessoas de cólera no país. Desde Outubro que perderam a vida 46 pessoas só na capital haitiana. A epidemia vitimou 1.110 pessoas por todo o país e o número de hospitalizações continua a aumentar. Foram 18.382 as pessoas internadas desde os primeiros casos.

Um terramoto de magnitude 7 na Escala de Richter, com epicentro a 15 quilómetros de Port-au-Prince, matou cerca de 300 mil pessoas a 12 de Janeiro de 2009. Destruiu as já poucas infra-estruturas do mais pobre país do continente americano. Amontoados nas ruas continuam corpos e destroços.

No início do mês, as chuvas intensas do furacão Tomás destruíram habitações e vias de acesso. Dezenas de pessoas pereceram e milhares tiveram de deixar as suas casas.
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