Epidemia de tifóide na África do Sul alastra, causas indeterminadas
As autoridades sul- africanas confirmaram 26 novos casos de tifóide nas últimas 24 horas na pequena cidade de Delmas, na província de Mpumalanga, onde mais de 500 pessoas se apresentaram nos hospitais desde 22 de Agosto com sintomas da doença.
Alegando que os técnicos de saúde continuam em busca da causa da epidemia nas fontes de água da região e outras possíveis áreas de contaminação, as autoridades confirmaram que se registaram já quatro óbitos e 65 pessoas continuam hospitalizadas.
Carin Bosman, uma técnica superior do departamento de águas e florestas, referiu que análises feitas nos depósitos de água de Delmas e em lençóis subterrâneos que alimentam a rede pública não deram resultados positivos na detecção da bactéria que provoca a febre tifóide. Carnes e produtos lácticos têm sido também testados de forma sistemática, mas sem sucesso.
Bosman garantiu que o governo está a mobilizar todos os recursos disponíveis para controlar a epidemia, adiantando que a investigação do processo de eclosão e propagação da tifóide é complexo e demorado.
As autoridades alertam entretanto os residentes para a necessidade de serem observados algumas regras básicas de higiene, como a lavagem cuidadosa de vegetais e frutos, frequentes lavagem das mãos e a não utilização de águas de origem suspeita para beber e para higiene pessoal e confecção de alimentos.
Em comunicado, a organização não-governamental TAC (Treatment Action Campaign) acusou o governo de estar a ocultar factos importantes sobre a epidemia de tifóide em Delmas.
Há muitos anos a lutar pelo direito dos seropositivos a tratamento gratuito, o TAC denuncia que um número de pessoas bastante superior ao divulgado pelo governo já morreu em consequência da epidemia em Delmas e que, segundo o testemunho de técnicos de saúde, os primeiros casos de tifóide foram detectados em Junho último e não em Agosto, contrariamente ao que diz o governo.
A organização afirma que teve acesso a certidões de óbito de pacientes que morreram de tifóide antes de Junho e que não são tidos em conta pelas autoridades.
A província de Mpumalanga, onde se situa Delmas, faz fronteira com Moçambique a leste.