Equipas utilizam cães para conclusão dos trabalhos de resgate em São Paulo
Equipas de resgate iniciaram buscas com cães para concluir os trabalhos de localização de corpos das vítimas do acidente da passada terça-feira com um Airbus da companhia aérea brasileira TAM, em São Paulo.
Um Airbus-A320 da companhia TAM despistou-se ao aterrar terça-feira no aeroporto de Congonhas, causando pelo menos 200 mortos, incluindo um cidadão português, entre passageiros, tripulantes e pessoas que se encontravam num edifício atingido pelo aparelho.
A utilização dos cães é necessária porque as equipas de resgate não conseguem aceder a determinadas partes do edifício onde houve o acidente, informou o porta-voz do Corpo de Bombeiros, capitão Mauro Lopes.
No último boletim divulgado pelas equipas de resgate, já foram retirados do local da tragédia 214 sacos com corpos e pedaços de corpos.
Desse total, 41 vítimas mortais já foram identificadas pelos peritos do Instituto Médico-legal (IML) de São Paulo, para onde estão a ser levados os corpos.
Especialistas do IML estão a recolher sangue dos parentes das vítimas para o futuro trabalho de identificação dos corpos por meio de exames de ADN.
O Governo brasileiro anunciou sexta-feira um conjunto de medidas para amenizar a actual crise aérea, designadamente a construção de um terceiro aeroporto em São Paulo.
O principal objectivo será reduzir o tráfego do aeroporto de Congonhas, onde terça-feira decorreu o maior acidente da história da aviação brasileira, afirmou a ministra da Casa Civil, Dilma Russef.
"Estamos muito preocupados com o adensamento", salientou a ministra, referindo-se à localização do aeroporto de Congonhas junto de uma aérea populosa de São Paulo.
Dilma Russef avançou que o Governo irá construir um terceiro aeroporto em São Paulo, como forma de reduzir o movimento de Congonhas (doméstico) e do Aeroporto Internacional.
O local do novo aeroporto, entretanto, não foi revelado para evitar uma possível "especulação imobiliária", salientou a ministra.
Nos próximos 60 dias, as companhias aéreas serão obrigadas a reduzir o número de voos para Congonhas, actualmente o mais movimentado do Brasil, com 36 voos por hora.
O objectivo é que o aeroporto de Congonhas concentre apenas os voos directos, como a ponte-aérea para o Rio de Janeiro, sendo que as conexões e as escalas passarão a ser feitas em outros aeroportos não especificados.
A ministra disse ainda que o Governo planeia abrir o capital da empresa estatal Infraero, responsável pela administração dos aeroportos brasileiros.
A crise aérea brasileira iniciou-se a 29 de Setembro de 2006, quando um Boeing da companhia GOL chocou-se com um jacto executivo, na Amazónia brasileira, resultando na morte de 154 pessoas.
Após o acidente, são frequentes os atrasos, cancelamentos e longas filas nos aeroportos, além de motins de controladores aéreos.