Escassez de gasóleo transforma refinarias em "minas de ouro"

Escassez de gasóleo transforma refinarias em "minas de ouro"

A crise mundial dos combustíveis está a penalizar empresas e consumidores, mas a escassez de gasóleo abre perspetivas de lucros históricos para as refinarias ocidentais.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
O presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, assegura que as refinarias na Europa"estão a tornar-se, de repente, minas de ouro". Ben Stansall - AFP

Donald Trump anunciou a suspensão temporária de algumas sanções norte-americanas sobre o petróleo russo, numa tentativa de reforçar a oferta e travar a subida dos preços dos combustíveis.

A medida do presidente dos Estados Unidos surge numa altura em que os ataques a instalações energéticas no Médio Oriente e na Rússia, incluindo refinarias, estão a comprometer o abastecimento mundial de gasóleo. 

A flexibilização das sanções pretende facilitar a entrada de petróleo russo nos mercados, mas não resolve os constrangimentos na produção e na capacidade de refinação.

A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a falta de combustível poderá prolongar-se até 2027, apesar das medidas para reforçar o abastecimento. 
"Os preços recorde do gasóleo já estão a ter consequências económicas abrangentes, aumentando o custo dos bens e afetando o rendimento real, a atividade económica e a inflação", advertiu a AIE.

De acordo com o jornal britânico The Guardian o gasóleo é essencial para a agricultura, a indústria e os transportes, pelo que a redução da oferta tem efeitos em cadeia sobre a economia. 

No mês passado, o abastecimento mundial ficou cerca de um milhão de barris por dia abaixo do volume previsto para 2025, devido, entre outros fatores, aos danos em refinarias no Golfo Pérsico e na Rússia e às restrições às exportações impostas pela China.
Refinarias beneficiam da crise
Enquanto as empresas e os consumidores enfrentam custos crescentes, algumas das maiores refinarias ocidentais estão a beneficiar da escassez e do aumento das margens de refinação, ou seja, da diferença entre o custo do petróleo bruto e o valor dos produtos refinados que vendem.

"As refinarias na Europa, que considerava um encargo, estão a tornar-se, de repente, minas de ouro", afirmou Patrick Pouyanné, presidente da francesa TotalEnergies, sublinhando as oportunidades criadas pela crise energética.

Entre abril e junho deste ano, as receitas da empresa nas áreas da refinação e dos produtos químicos mais do que quadruplicaram, atingindo 1,8 mil milhões de dólares (à volta de 1.6 mil milhões de euros).

Nos Estados Unidos, as exportações de combustíveis aumentaram mais de 50% no último ano, alcançando um máximo histórico de 1,9 milhões de barris por dia. 

As ações de três das maiores empresas do setor (Marathon Petroleum, Valero Energy e Phillips 66) também registaram uma forte valorização, refletindo as expectativas de lucros elevados.

O jornal britânico explica ainda que o cenário evidencia o contraste provocado pela crise. Ou seja, enquanto a subida do preço do gasóleo encarece os transportes, os alimentos e outros bens, as empresas com capacidade para transformar petróleo em combustíveis encontram condições favoráveis para aumentar os lucros.

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