Escola Dawson assinala um ano sobre tiroteio que vitimou luso-descendente

A escola Dawson, em Montreal, assinala hoje a passagem de um ano sobre o tiroteio que vitimou mortalmente a jovem luso-descendente Anastásia de Sousa.

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Há precisamente um ano, o quebequês Kimveer Gill, munido de três armas, irrompeu pelo estabelecimento pré-universitário da baixa de Montreal e começou a disparar, causando a morte a Anastásia de Sousa, ferimentos em mais 19 pessoas, e acabou por suicidar-se no local.

Com um universo de 10.000 alunos, esta escola em língua inglesa preparou para hoje um dia em memória da tragédia, com um programa que inclui "um momento de silêncio" às 12:41 locais, hora em que o atirador iniciou o ataque.

Segue-se uma homenagem na cantina da escola, o local onde a estudante de origem portuguesa foi assassinada e outros alunos foram feridos.

Um ano volvido, a dor deixada pela tragédia neste estabelecimento pré-universitário está fresca e é profunda.

A recordação deste evento esteve em foco nos últimos dias em diversos jornais e cadeias de televisão do todo o país.

The National, o principal noticiário do canal nacional de TV CBC - Canadian Broadcasting Corporation dedicou-lhe um dossier diário com transmissão de uma série de entrevistas e reportagens.

Pelo lado da escola Dawson, reforçar o sistema de segurança foi a prioridade estratégica para este novo ano lectivo, iniciado há três semanas.

O plano custou 750 mil dólares canadianos (mais de meio milhão de euros) e incluiu um novo circuito de segurança interno, reconfiguração de parte do edifício com o objectivo de dar melhor resposta em caso de emergência, reposicionamento dos agentes de segurança, a par da melhoria das acessibilidades e do sistema telefónico.

A direcção avançou verdadeiras inovações: Introduziu novas fechaduras para as salas de aula que permitem o bloqueio a partir do interior, um sistema de controlo de portas magnéticas que será accionado para facilitar saídas em situação de urgência e colocou câmaras de vigilância.

Para garantir que as comunicações não falham, criou, em parceria com uma companhia operadora, uma rede interna de telemóvel exclusiva, que levou à instalação de 27 antenas em toda a área da escola.

Também o Governo da província do Quebeque decidiu reagir na sequência do trágico evento, criando em Junho passado a "Lei 09" - a que chamou "Lei Anastásia", a qual proíbe o porte de armas de fogo em todas as escolas e creches e nos transportes escolares ou públicos.

O diploma inclui, por outro lado, uma rigorosa regulamentação da prática de tiro em clubes, impondo nomeadamente que os membros tenham um certificado de que estão em condições de manusearem armas, com segurança.

Esta regulamentação relaciona-se com a descoberta de que o atirador Kimveer Gill era praticante num clube de tiro.

O drama na escola Dawson e o falecimento da jovem de origem portuguesa gerou uma enorme onda de solidariedade quer no Quebeque, com manifestações de apoio também da comunidade portuguesa de Montreal, como no resto do Canadá.

Em sua memória, Dawson criou o fundo Anastásia, aberto a donativos, destinado a financiar prémios e bolsas a estudantes necessitados.

Nascida em Montreal, Anastásia Rebecca de Sousa tinha 18 anos e era uma estudante caloira na escola Dawson, onde frequentava o curso de Comércio Internacional.

Está sepultada num talhão familiar no cemitério Côte-des-Neiges, naquela cidade.

A sua ascendência e apelido lusos vêm do avô paterno, José de Sousa, um açoriano emigrante no Canadá há 45 anos que não esquece a sua "menina que adorava o cor-de-rosa".

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