Escola de Londres quer proibir "calão" em testes e nas sala de aula

Uma escola secundária em Londres quer que os alunos deixem de trazer para as aulas o tipo de linguagem usada na gíria e em contexto informal. Na lista de palavras proibidas surgem expressões muito comuns na oralidade e cultura em língua inglesa ou mesmo "fillers", palavras que são geralmente usadas na comunicação oral para preencher pausas.

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Começar um texto ou uma frase com a palavra “basicamente” é algo que passa a ser proibido de acordo com a nova lista de linguagem proibida na escola secundária Ark All Saints. O objetivo é nortear a linguagem que deve usada em situações de aprendizagem formal e nas avaliações, mas está a ser criticado por vários linguistas.

De acordo com os professores desta escola, as palavras e frases específicas da lista foram selecionadas porque estavam “a aparecer muito nos trabalhos dos alunos”, pelo que se pretende que aprendam a expressar-se de forma “clara e precisa”, sobretudo quando escrevem. 
O jornal britânico The Guardian mostra aqui quais são as palavras e expressões "proibidas".

Por exemplo, os jovens passam a estar proibidos de começar uma frase com expressões como: “because”, “no”, “like”, “say”, “you see” ou “basically”. Outras expressões como “oh my days”, “oh my god”, “bare” e “cuss” também constam na lista.  

Os professores enfatizam, no entanto, que nenhumas das palavras ou frases estão proibidas de uso geral na escola e na interação social entre alunos.

Outra escola em Birmingham anexou aos livros escolares instruções sobre como falar e escrever com “eloquência”: evitar o uso de coloquialismos nos textos académicos e dar primazia a expressões como: “furthermore”, “consequently” ou “in conclusion”.

Os linguistas consideram que estas limitações são uma forma de “descrença” nos jovens e um sinal de “falta de visão”, até porque algumas das palavras e frases que fazem parte da lista têm sido amplamente usadas na literatura, televisão ou música. 

Marcello Giovanelli, professor de língua e literatura inglesa na universidade de Aston, destaca que a gíria ou o calão “sempre estiveram na vanguarda da inovação linguística”. Por outro lado, proibir aos alunos este tipo de linguagem “pode ter impactos negativos sobre a sua identidade e confiança”.

“Devemos celebrar as diferentes formas de usar a linguagem e concentrar-nos no conteúdo do que está a ser dito”, refere Natalie Sharpling, professora de linguística aplicada na Universidade de Warwick. “Não queremos que os alunos sintam que têm de rejeitar os aspetos culturais da sua própria língua”, acrescenta.
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