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COVID-19
Espanha arrisca bomba-relógio política após emergência forçada em Madrid
O Governo espanhol pode estar perante uma bomba-relógio política de difícil desativação. Se, em público, o Executivo passa a imagem de que a crise pandémica em Madrid está prestes a ser solucionada devido à ativação do estado de emergência, em privado vários ministros admitiram um crescente debate interno e preocupação.
Depois de o Tribunal Superior de Justiça de Madrid ter anulado, esta semana, as restrições à mobilidade impostas pelo Governo espanhol, um Conselho de Ministros extraordinário convocado por Pedro Sánchez forçou o estado de emergência nessa região, onde o número de casos de infeção pelo novo coronavírus não para de aumentar.
A presidente do Governo de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, acusou o primeiro-ministro de impor o estado de emergência sem lhe dar uma última oportunidade para negociar. Agora, com a tensão política a adensar-se, ministros e outros membros do Executivo de Pedro Sánchez consideraram, consultados pelo El Pais, que Ayuso e a sua mão direita, Miguel Ángel Rodríguez, representam uma bomba-relógio política que pode explodir a qualquer instante.
Segundo estes membros anónimos do Governo, este não possui bons instrumentos para controlar tal bomba, nem a nível jurídico, nem político. Por essa razão, acreditam que Isabel Díaz Ayuso possa descredibilizar a imagem do Executivo perante a população, algo que algumas sondagens começam já a confirmar.
Alguns dos ministros acreditam ainda que Ayuso possa utilizar o estado de emergência para sacudir responsabilidades e culpar o Executivo pela crise económica que pode estar a avizinhar-se em Madrid, numa altura em que os estabelecimentos passam a ter horários reduzidos e a população vê limitada a circulação.
Ao público, porém, o palácio da Moncloa mostra bastante confiança e garante que o Governo possui muitas formas de controlar a conturbada situação. O Governo diz acreditar que Ayuso cometeu um erro ao contestar a imposição do estado de emergência e que irá notar o desgaste dos serviços de saúde e acabar por reconhecer a necessidade de medidas apertadas para controlar a pandemia.
Há ainda o risco de a presidente do Governo de Madrid ingressar numa campanha eleitoral “contra Sanchéz”, temem os ministros consultados pelo El Pais. “Corremos o risco de a ajudar a converter-se na heroína da direita, que está a tentar ocupar o espaço do [partido de extrema-direita] Vox”, alertou um deles.
O ministro espanhol da Saúde, Salvador Illa, terá dito aos restantes ministros do Executivo estar convencido de que o número de novos casos de infeção por Covid-19 irá cair o suficiente durante as próximas duas semanas de estado de emergência para que não seja necessário um prolongamento do mesmo.
Mas se Illa estiver errado e o estado de emergência tiver de ser prorrogado, o Congresso espanhol deverá ter pela frente um processo dificultado pelo desafio de reunir votos suficientes, tal como aconteceu em maio.
Espanha é, neste momento, o segundo país europeu com mais casos acumulados de infeção pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. São já 861 mil, dos quais 40 mil são vítimas mortais. Até agora, 150 mil pessoas nesse país foram dadas como recuperadas.
A presidente do Governo de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, acusou o primeiro-ministro de impor o estado de emergência sem lhe dar uma última oportunidade para negociar. Agora, com a tensão política a adensar-se, ministros e outros membros do Executivo de Pedro Sánchez consideraram, consultados pelo El Pais, que Ayuso e a sua mão direita, Miguel Ángel Rodríguez, representam uma bomba-relógio política que pode explodir a qualquer instante.
Segundo estes membros anónimos do Governo, este não possui bons instrumentos para controlar tal bomba, nem a nível jurídico, nem político. Por essa razão, acreditam que Isabel Díaz Ayuso possa descredibilizar a imagem do Executivo perante a população, algo que algumas sondagens começam já a confirmar.
Alguns dos ministros acreditam ainda que Ayuso possa utilizar o estado de emergência para sacudir responsabilidades e culpar o Executivo pela crise económica que pode estar a avizinhar-se em Madrid, numa altura em que os estabelecimentos passam a ter horários reduzidos e a população vê limitada a circulação.
Ao público, porém, o palácio da Moncloa mostra bastante confiança e garante que o Governo possui muitas formas de controlar a conturbada situação. O Governo diz acreditar que Ayuso cometeu um erro ao contestar a imposição do estado de emergência e que irá notar o desgaste dos serviços de saúde e acabar por reconhecer a necessidade de medidas apertadas para controlar a pandemia.
Campanha eleitoral “contra Sanchéz”?
Analistas políticos já colocaram em cima da mesa a possibilidade de Isabel Díaz Ayuso convocar eleições antecipadas para reforçar a sua posição à frente do governo de Madrid. A maioria dos membros do Governo consultados pelo El Pais consideram, porém, que essa seria uma jogada demasiado arriscada para o Partido Popular de Ayuso, que nas últimas eleições foi eleito por uma margem estreita.Há ainda o risco de a presidente do Governo de Madrid ingressar numa campanha eleitoral “contra Sanchéz”, temem os ministros consultados pelo El Pais. “Corremos o risco de a ajudar a converter-se na heroína da direita, que está a tentar ocupar o espaço do [partido de extrema-direita] Vox”, alertou um deles.
O ministro espanhol da Saúde, Salvador Illa, terá dito aos restantes ministros do Executivo estar convencido de que o número de novos casos de infeção por Covid-19 irá cair o suficiente durante as próximas duas semanas de estado de emergência para que não seja necessário um prolongamento do mesmo.
Mas se Illa estiver errado e o estado de emergência tiver de ser prorrogado, o Congresso espanhol deverá ter pela frente um processo dificultado pelo desafio de reunir votos suficientes, tal como aconteceu em maio.
Espanha é, neste momento, o segundo país europeu com mais casos acumulados de infeção pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. São já 861 mil, dos quais 40 mil são vítimas mortais. Até agora, 150 mil pessoas nesse país foram dadas como recuperadas.