Espanha chama embaixador iraniano para condenar repressão de protestos
O Governo de Espanha chamou o embaixador do Irão em Madrid para lhe transmitir a "repulsa enérgica e condenar" a repressão dos protestos dos últimos dias no país, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol.
O ministro, José Manuel Albares, afirmou que o Governo espanhol acompanha com "muitíssima preocupação" o que está a acontecer no Irão e que "condena a violência exercida contra manifestantes pacíficos",
"Hoje vamos transmitir-lhe [ao embaixador Reza Zabib] que é preciso respeitar o direito de manifestação pacífica dos iranianos, a sua liberdade de expressão", disse Albares, numa entrevista à rádio Catalunya Radio.
Albares disse ainda que o regime iraniano tem "de restabelecer imediatamente as comunicações com o exterior, incluindo a Internet".
"E vamos lembrar-lhe que o direito de comunicação livre dos cidadãos é também um direito fundamental. Que têm de parar as detenções arbitrárias destes últimos dias e que o Irão tem de regressar às mesas de diálogo e às mesas de negociação", acrescentou.
Albares sublinhou o papel que estão a ter nos protestos contra o regime do Irão "as corajosas mulheres iranianas".
O Irão está a viver uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital, Teerão. por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a dezenas de cidades do país.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e das Nações Unidas devido ao programa nuclear de Teerão.
De acordo com a organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO), sediada na Noruega, pelo menos 648 manifestantes foram mortos desde 28 de dezembro em 14 províncias no Irão.
Entre os mortos, estão nove menores, indicou a organização não-governamental (ONG), que registou ainda milhares de feridos e estima que o número de detidos ultrapasse os 10 mil.
Algumas estimativas, que a ONG não conseguiu verificar, sugerem um número de mortos bastante superior, atingindo mais de 6.000, acrescentou em comunicado divulgado no `site`.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão convocou, na segunda-feira, os embaixadores de países europeus como o Reino Unido, a Alemanha, a Itália e a França, mostrando-lhes um vídeo da "violência dos manifestantes" e exigindo a "retirada das declarações oficiais de apoio aos protestos".
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse na segunda-feira que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está a considerar ataques aéreos no Irão para terminar a repressão do regime aos protestos.
Em junho, Israel e Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão.