Espanha. Confinamento pode "agravar-se" se curva da pandemia "não achatar"

O Governo espanhol acredita que o país está a aproximar-se do "pico da curva" de contágios do novo coronavírus e que não será necessário "abrandar" mais a economia. Contudo, se a curva "não achatar" nos próximos dias, as medidas de confinamento podem "endurecer".

RTP /
Fernando Grande-Marlaska, ministro do Interior do Governo espanhol Jon Nazca - Reuters

O ministro espanhol da Saúde, Salvador Illa, afirmou esta quinta-feira que Espanha pode estar a aproximar-se do "pico da curva" de contágios do novo coronavírus, considerando a mudança de tendência dos últimos dias - com um aumento menor do números de casos relativamente ao período anterior -, após a qual se inicia uma fase de estabilização da pandemia.

O Ministério do Interior avançou esta quinta-feira com uma norma na qual era esclarecido que tipo de transportes passariam a ser autorizados a viajar nas estradas espanholas, caso as medidas do confinamento se agravassem.

Esta norma declara: "O artigo 7 do decreto real, que impõe certas limitações à mobilidade das pessoas, também confere ao chefe deste departamento os poderes necessários para concordar com o encerramento da circulação de estradas ou trechos por razões de saúde pública, segurança ou fluidez do tráfego ou a restrição no acesso de determinados veículos pelas mesmas razões".

Mas o Governo está confiante de que a tendência da curva da pandemia é para diminuir, por isso, num encontro com parceiros e algumas comunidades autónomas, esclareceu que apenas está a estudar cenários possíveis e o reforço de medidas caso isso não aconteça.

À semelhança de alguma comunidades autónomas, o Unidas Podemos assume ser a favor da aplicação de mais medidas de restrições no combate ao novo coronavírus.

Na quarta-feira, no debate parlamentar, o porta-voz da Unidas Podemos, Pablo Echenique, assumiu a posição do grupo parlamentar, liderado por Pablo Iglesias (vice-presidente do Governo).

Echenique disse que se "forem pensadas mais medidas, mais tarde, o Unidas Podemos as apoiará".

Mas o Governo de Pedro Sánchez decidiu, por enquanto, manter as medidas de confinamento até agora impostas ao país, para "não desacelerar ainda mais a economia" e evitar "consequências dramáticas" para as empresas e os trabalhadores.
Parar o país para o salvar
O debate sobre a possibilidade de aplicar mais restrições às atividades económicas, principalmente em setores como a construção, que apresenta sérias dificuldades em garantir medidas de segurança e a distância entre os trabalhadores, tem sido intenso.

Gabriel Rufián, porta-voz da ERC, é da opinião de que "ou paramos o país ou ficamos sem um país".

Já o Ministro das Obras Públicas, José Luis Ábalos, deixou clara a posição do Governo quando perguntado especificamente sobre atividades económicas como os setores da construção.

"Não há obrigação de manter os trabalhos. Alguns conselhos municipais podem suprimir alguns serviços que não são essenciais, como jardinagem, por exemplo. O problema das obras e da construção - que sabemos como é importante - é que temos que combater a pandemia, mas também temos uma certa base económica que nos permite enfrentar o problema de saúde. Não podemos destruir toda a nossa base económica. Existem atividades que parecem não essenciais, mas fazem parte de uma cadeia que nos permite suspender e nos permitirá sair com mais força. Mas não há obrigação de mantê-los", esclareceu.

Mas segundo o ministro espanhol da Saúde, os últimos dias apontam para uma mudança de tendência, com um aumento menor do números de casos relativamente ao período anterior. o Governo espera, portanto, que a curva comece a "achatar", o número de casos de infetados com Covid-19 diminua e que, assim, não seja preciso "agravar" as medidas de confinamento em Espanha.

O tema está em cima a mesa, mas a decisão vai depender do comportamento da curva de contágios nos próximos dias.
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