Espanha espera impulso defnitivo a acordo comercial UE-Mercosul na próxima semana
Espanha espera que a cimeira da União Europeia com países da América Latina da próxima semana dê um impulso definitivo para a conclusão do acordo comercial da Europa com o Mercosul, disseram hoje fontes do Governo de Madrid.
Fontes do Governo de Espanha, o país que tem a presidência semestral rotativa do Conselho da União Europeia (UE) e que promoveu a cimeira da próxima semana, realçaram hoje que o acordo com o Mercosul continua a ser uma "negociação em curso", mas garantiram que há vontade das duas partes em avançar e não reabrir o texto do corpo central do tratado, que já está fechado há anos.
Apesar de as negociações do tratado terem sido dadas por terminadas em 2019, o acordo não foi ainda ratificado e entretanto a UE colocou novas questões aos países do Mercosul (Mercado Comum do Sul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).
Espanha tem trabalhado nos últimos meses para desbloquear a carta de compromissos, essencialmente ambientais, entretanto anexada pela UE ao acordo, disseram as mesmas fontes da Moncloa, a sede do Governo espanhol.
Neste contexto, Madrid espera que a cimeira entre a EU e Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (CELAC), na próxima semana, em Bruxelas, seja um impulso definitivo ou, pelo menos, importante, para a conclusão do acordo.
Na semana passada, o Mercosul, num comunicado, reafirmou "o compromisso de avançar para a assinatura imediata" de um acordo de livre comércio com a UE benéfico para ambas as partes, apesar de resistências colocadas pelo Uruguai.
Os países do Mercosul, com exceção do Uruguai, destacaram "o trabalho realizado" no semestre que terminou, em particular a reunião de chefes negociadores Mercosul-UE, em Buenos Aires em março, e a reunião de chefes negociadores suplentes em 15 de junho, "o que possibilitou abordar pendências e manter uma discussão franca sobre as aspirações e prioridades de cada um dos blocos".
Organizações não-governamentais e o grupo político Verdes no Parlamento Europeu contestaram hoje o acordo da UE com o Mercosul, por considerarem que tem por base um modelo comercial do passado e que beneficia as empresas em detrimento da preservação ambiental ou dos interesses das populações, prometendo ações de protesto na próxima semana em Bruxelas.
A cimeira UE-CELAC não se realiza há oito anos e foi uma iniciativa de Espanha, disseram hoje as fontes da Moncloa, que acrescentaram que o encontro vai agora concretizar-se muito por insistência de Espanha e de Portugal, os dois estados europeus que mais relevância dão às elações com a América Latina.
Apesar do peso que Espanha, antigo colonizador da América Latina, dá à cimeira UE-CELAC, o encontro vai ser em Bruxelas, depois de o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o ter anunciado pela primeira vez em agosto do ano passado, durante uma visita à Colômbia.
A decisão para fazer a cimeira UE-CELAC em Bruxelas pretendeu, segundo Sánchez, manifestar a importância que a UE no seu conjunto dá à necessidade de uma nova parceria com a América Latina, no contexto geopolítico que saiu da pandemia e da guerra na Ucrânia, que expuseram as excessivas dependências da Europa em relação à Rússia e à China, em termos de abastecimento de produtos industrias e de matérias-primas.