Espanha. Exumação de Franco marcada para 10 de junho

O Governo espanhol anunciou esta sexta-feira que os restos mortais de Francisco Franco vão ser retirados do Vale dos Caídos, memorial franquista, no dia 10 de junho, e depois levados para o cemitério de Mingorrubio, onde foi enterrada a sua mulher, Carmen Polo.

RTP /
Juan Medina, Reuters

Os restos mortais de Francisco Franco, que está enterrado no Vale dos Caídos desde novembro de 1975, têm sido objeto de grande polémica desde que o Governo liderado por Pedro Sánchez decidiu avançar com a sua exumação. Assim, este é um dos temas centrais da legislatura de Pedro Sanchez.

A vice-presidente do Governo de Espanha, Carmen Calvo, anunciou esta sexta-feira, após a reunião do Conselho de Ministros, que a exumação de Franco irá ocorrer logo depois das eleições de 26 de maio.

“Seja qual for o Governo que estiver no poder a 10 de junho, a exumação terá de ser feita, a não ser que mude a lei”, afirmou a governante. Acrescentou ainda que “é urgente exumar os restos do ditador. Só podem estar ali os restos das pessoas que foram vítimas do confronto”.

O Governo falhou a sua tentativa de realizar a exumação antes das eleições. “Estamos atrasados”, afirmou Carmen Calvo. Garantiu que a exumação será dia 10 de junho, para retirar o assunto do debate eleitoral.

A exumação de Francisco Franco foi aprovada pelo Congresso dos Deputados, com a abstenção do Partido Popular (PP) e do Ciudadanos. O líder do PP, Pablo Casado, afirmou noutra ocasião que não queria ver um único euro gasto com a exumação de Franco. Contudo, a decisão ainda tem de ser aprovada pelo Supremo Tribunal.

O Governo quer impedir que o novo túmulo do ditador se torne um lugar de exaltação do regime de Franco. O relatório do Estado refere que a família não pode opor-se.
Confronto com a família de Franco
A família do general Franco tem apresentado vários recursos às iniciativas do Governo de Pedro Sanchez, tendo inclusive levado o caso para o Tribunal Supremo de Espanha. Contudo, o Governo não admite esperar pela decisão do tribunal.

O Governo de Pedro Sánchez tem também recusado o plano da família de Francisco Franco de levar os restos mortais para a catedral de La Almudena, onde a sua família tem um jazigo privado, alegando questões de segurança e ordem pública.

Em fevereiro, foi dado o prazo de 15 dias à família de Franco para decidir o local de transferência dos restos mortais. A família, face a este ultimato, afirmou que só considerava aceitar o prazo se o Supremo Tribunal não aceitasse o seu recurso.

Carmen Calvo garantiu à família que poderá realizar uma cerimónia privada no local do enterro, a fim de preservar a sua privacidade.

“Estamos numa democracia. Estamos numa democracia que protege o direito de intimidade e que assume com extraordinário respeito e cuidado os restos humanos de qualquer um, incluindo os do ditador”, afirmou Carmen Calvo.
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