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Espanha precisa de ajuda europeia para recapitalizar os bancos

Espanha precisa de ajuda europeia para recapitalizar os bancos

O ministro das Finanças espanhol defendeu que as instituições europeias devem ajudar Madrid a recapitalizar os seus bancos. Cristóbal Montoro admitiu que as portas dos mercados estão fechadas para a Espanha e que, por isso, o país terá grandes dificuldades em obter o capital de que necessita para recuperar o setor financeiro. Apesar disso, o ministro continua a defender a linha oficial de que não é necessário um resgate formal ao país por parte do FMI e da UE.

RTP /
A entrevista do ministro das Finanças espanhol Cristobal Montoro representa a admissão mais explicita, até agora, por um responsável espanhol de que o país necessita de ajuda externa. Javier Lizon,EPA

Numa entrevista à radio Onda Cero, Cristobal Montoro admitiu que o alto risco que os investidores associam à dívida soberana de Espanha significa que o país “não tem aberta a porta dos mercados”, o que seria uma condição imprescindível num momento em que o país precisa de recapitalizar a banca.

O responsável espanhol das Finanças diz que o desafio é agora "abrir a porta" mas “parte da chave está em poder das instituições europeias”.

O momento escolhido para estas declarações deixou perplexos muitos analistas económicos, já que, dentro de dois dias, o Tesouro espanhol vai leiloar dois mil milhões de euros de dívida em obrigações de médio e longo prazo.
Juros incomportáveis
Na passada sexta-feira, a taxa de juro sobre as obrigações espanholas a dez anos foi de 6,31 por cento no mercado secundário e, embora esteja a baixar, mantem-se perigosamente perto dos níveis que obrigaram Portugal Irlanda e Grécia a pedir um resgate internacional.

“O prémio de risco diz que, enquanto Estado, temos um problema em aceder aos mercados, quando se trata de refinanciar a nossa dívida”, disse Montoro à Onda Cero, adiantando que os bancos da Espanha devem ser recapitalizados através de “mecanismos Europeus”.

“Não estamos a falar de somas astronómicas e inatingíveis. Trata-se de cifras perfeitamente atingíveis”, disse o ministro, acrescentando que “o problema é onde obtê-las”, afirmou.
Governo espanhol não se compromete com números
Na entrevista, Montoro não confirmou nem desmentiu a estimativa do chefe do Banco Santander, Emilo Botin, que ontem calculou em cerca de 40 mil milhões de euros o montante que será necessário para cobrir as necessidades dos bancos espanhóis.

Este número é visto como muito aquém da realidade pela maior parte dos analistas estrangeiros, que avançam com valores na ordem dos 100 mil milhões de euros. Já o ministro evitou dar números exatos, dizendo que o Governo só terá uma ideia clara depois de ter na sua posse os relatórios das duas firmas internacionais de auditoria, contratadas para estudar a saúde do sistema bancário espanhol.
Espanha o resgate "impossível"
A situação em Espanha domina atualmente as atenções na Europa, porque existe a perceção de que o resgate da quarta maior economia da Zona Euro imporia um fardo quase impossível de suportar para os restantes países.

Este ano, o Estado espanhol necessita de refinanciar 82 mil milhões de euros da sua dívida, ao mesmo tempo que tem de ajudar as endividadas regiões de Espanha a pagar as suas dívidas que na segunda metade do ano rondam os 16 mil milhões de euros.

Pior ainda a situação do sistema bancário, afetado por incumprimentos massivos do crédito imobiliário e ativos tóxicos.

O banco espanhol em pior situação é o Bankia S.A, que precisa de uma injeção de 19 mil milhões de euros por parte do governo, mas a Espanha já só dispõe de cinco mil milhões de euros do fundo que foi estabelecido em 2009 para ajudar os bancos. O executivo espanhol prometeu publicamente ajudar o Bankia mas não revelou ainda planos concretos para o fazer.
Montoro pede rapidez aos dirigentes europeus
É neste contexto que Montero exorta os dirigentes europeus a agirem com “diligência, decisão e rapidez” e inclusivamente “assumirem riscos políticos”, pois são necessárias decisões para garantir o futuro da moeda única.

Para o governo espanhol o primeiro passo consiste na união bancária, “mais Europa” que passa por “mais união financeira”.

A 28 de junho os líderes europeus reúnem-se numa Cimeira, onde serão apresentadas propostas para salvar o euro.

A Comissão Europeia e o Banco Central Europeu devem apresentar propostas que incluem a criação de uma “união bancária” que fiscalizaria os bancos europeus e poderia ter  poderes para financiar diretamente os mesmos, sem passar pelos governos nacionais.
Os homens de negro não virão a "Espanha"
Uma tal solução permitiria ao governo de Madrid evitar um pedido de resgate formal e as respetivas consequências políticas e económicas, que Mariano Rajoy e o seu governo querem evitar a todo o custo.

O ministro espanhol das Finanças reforçou a rejeição desse cenário, afirmando que "os homens de negro não virão a Espanha" para resgatar o país porque este "não é resgatável" numa referência aos inspetores da troika que visitam periodicamente os países intervencionados.

Para não ter de pedir oficialmente ajuda, a estratégia de Madrid passa por demonstrar que o problema dos bancos em dificuldades não afeta apenas a Espanha mas sim a Europa como um todo.

Nas palavras de Montoro, a ajuda na recapitalização dos bancos “não será um processo para ajudar ninguém em particular, mas sim o de promover um sistema financeiro europeu com as mesmas garantias para todos os países” .

Até esta data, a União Europeia e em particular a Alemanha têm recusado esta ideia já apelidada de “resgate light” . A linha oficial em Bruxelas e em Berlim tem sido de que a Espanha pode fazer um pedido formal de resgate, mas terá de aceitar as inevitáveis condições que a ele estão associadas.
Reponsáveis europeus admitem conceder "linha de crédito preventiva"
O jornal alemão Die Welt revelou entretanto que os responsáveis europeus estão a aventar a possibilidade de oferecer à Espanha uma “linha de crédito preventiva” que viria através do fundo provisório de resgate da Zona Euro e ajudaria Madrid a recapitalizar os bancos.

“A Espanha poderia candidatar-se a uma ajuda preventiva mesmo antes das eleições gregas e antes de apresentar o relatório sobre o estado dos seus bancos”, escreve esta terça-feira o Die Welt, citando várias fontes europeias que não quiseram ser identificadas.

A notícia, que será desenvolvida na edição de quarta-feira do jornal diário, adianta que a referida linha de crédito daria à Espanha a opção de tentar obter por si própria os fundos de que necessita para recapitalizar o setor bancário e, posteriormente, recorrer à ajuda externa se não conseguisse financiamento suficiente.

A solução proposta difere substancialmente da que foi defendida pelo ministro espanhol das Finanças Cristobal Montoro na entrevista à Onda Cero. Duas fontes do governo espanhol já vieram a público negar que o país precise, ou necessite, de uma linha preventiva de crédito do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira ou do Fundo Monetário Internacional.


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