Espanha. Protestos pela habitação continuam e haverá greve geral
A associação Sindicato de Inquilinas, que coordena os protestos pela habitação em Espanha, disse esta segunda-feira que antecipação de eleições no país não trava as manifestações e que "o poder popular abriu um novo ciclo".
"O poder popular abriu um novo ciclo, um ciclo em que sabemos que o direito à habitação se vai conquistar a partir das ruas", disse uma porta-voz do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid, Alicia del Rio, em declarações aos jornalistas na praça Porta do Sol, no centro da capital espanhola, onde desde 03 de outubro se mantêm um acampamento de protesto pela crise na habitação com mais de mil tendas.
Acampamentos como este, embora de menor dimensão, replicaram-se na última semana por outras cidades espanholas, a par de manifestações, que só no último fim de semana mobilizaram 950.000 pessoas em mais de 50 localidades do país, segundo a Confederação de Sindicatos de Inquilinas.
"Agora começa uma campanha eleitoral que vai estar profundamente marcada pela habitação. Vai ser a questão central", defendeu Alicia del Rio.
"No entanto, não vamos estar à espera de nenhum calendário eleitoral", acrescentou, dizendo que os protestos e outras iniciativas pela habitação vão continuar, como o acampamento na Porta do Sol, e que as associações estão a coordenar-se com as centrais sindicais para ser convocada uma "greve geral pelo direito à habitação" em novembro.
Alicia del Rio defendeu que "a greve geral é a única maneira de garantir que se vai responder ao que o povo está a pedir, governe quem governe".
"Esta onda de indignação é imparável e não vamos parar", acrescentou.
Espanha vai ter eleições legislativas antecipadas em 29 de novembro, anunciou hoje o primeiro-ministro e líder do Partido socialista Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez.
Sánchez decidiu antecipar as eleições nacionais depois de, na sexta-feira, o parlamento espanhol ter rejeitado dois decretos do Governo com medidas para a habitação e após mais de uma semana de protestos diários com milhares de pessoas nas ruas por causa dos despejos e das dificuldades de acesso a uma casa.
A atual legislatura terminava em julho de 2027.