Espanha. Sánchez investido primeiro-ministro

Na segunda votação da sessão de investidura, o líder do PSOE precisava apenas de uma maioria simples no Congresso dos Deputados. Pedro Sánchez conseguiu uma vantagem tangente de 167 votos a favor, 165 contra e 18 abstenções, o que faz antever uma legislatura difícil.

RTP /
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O parlamento viabilizou o governo de coligação entre PSOE e Unidas Podemos, pondo fim a um longo período em que Espanha era governada por um executivo de gestão. Depois das eleições de abril, o PSOE não tinha conseguido formar governo, o que levou a novas eleições em novembro.

Pedro Sánchez negociou a abstenção dos 13 deputados dos independentistas catalães da ERC (Esquerda Republicana da Catalunha), aceitando a criação de uma "mesa de diálogo" para resolver "o conflito político sobre o futuro da Catalunha". Um acordo essencial para a investidura desta terça-feira.

A votação teve lugar dois dias depois de o candidato do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), no domingo, não ter conseguido o apoio da maioria absoluta dos parlamentares. Recebeu 166 votos a favor e 165 contra. Hoje, esteve no plenário uma deputada que está doente, mas que, ainda assim, compareceu esta terça-feira.

O líder socialista vai dirigir um Governo de coligação com o Unidas Podemos, o primeiro de coligação desde o início da democracia espanhola.

Pablo Iglesias, Irene Montero, Alberto Garzón, Yolanda Díaz e Manuel Castells serão os ministros do Unidas Podemos. Iglesias, líder do partido, será vice-presidente do executivo.

“Compreendo a frustração, tentaram tudo, mas fracassaram. Tentaram criar tensão para ver se de algum lado aparecia uma oportunidade. Não conseguiram. Governará uma coligação progressista”, tinha dito Sánchez às forças conservadoras, no discurso antes da votação.

“É a única opção de governo possível, depois de cinco eleições gerais no último ano”, argumentou o líder do PSOE. “Haverá uma coligação progressista, porque foi isso que escolheram os espanhóis e a maioria parlamentar”, afirmou. “Aceitem que perderam as eleições”.

Pedro Sánchez voltou a referir que pretende trabalhar numa “fórmula para facilitar no futuro maiorias de governo, frente às maiorias de bloqueio”.

O líder do PP chamou Pedro Sánchez de “cavalo de Tróia” que conjurou para destruir o Estado. Pablo Casado argumenta que a democracia espanhola teve dois grandes inimigos: “os terroristas e os golpistas”, acusando Sánchez de colocar a sua investidura nas mãos do EH Bildu e da ERC.

“Preferiu ser o espantalho do nacionalismo em lugar de ser um homem de Estado”, reforçou Casado. “O seu disfarce de moderado caiu com todas as suas mentiras”, acrescentou. “Desertou das suas obrigações constitucionais”.

Para Pablo Casado, a esperança é que Sánchez tenha enganado os aliados como enganou os eleitores, referindo-se às promessas eleitorais do líder socialista de que não pactuaria com os nacionalistas.

Pablo Iglesias, líder do Unidas Podemos dirigiu-se diretamente a Pedro Sánchez pedindo “firmeza democrática”. “Pedro, não nos vão atacar pelo que fazemos, mas pelo que somos. Face aos intolerantes, peço-te que mantenhas o melhor tom e firmeza democrática", disse.

A deputada da Esquerda Republicana da Catalunha, partido com quem o PSOE negociou a abstenção em troca de uma “mesa de diálogo”, considerou, na intervenção que estão a dar a Sánchez “uma hipótese de diálogo”, pedindo no parlamento a libertação imediata de Oriol Junqueras, um dos independentistas catalães que está preso.

A deputada Montserrat Bassa, irmã de uma independentista detida, foi particularmente dura e acusou o PSOE de ser “cúmplice da grande mentira sobre a violência na Cataluna”, vincando que, para, ela “pouco lhe importa a governabilidade em Espanha”. “Por raiva, votaria ‘não’”, dizendo depois que se querem resolver o problema político na Catalunha, então tem de haver uma “empatia necessária”.

Na sessão de investidura de hoje compareceu a deputada En Comú Podem, Aina Vidal que no domingo tinha falhado a primeira votação da investidura. A deputada, apesar de estar muito doente, compareceu esta terça-feira no parlamento. As primeiras palavras do líder Pablo Iglesias foram para agradecer a sua presença. A deputada levantou-se para agradecer, perante o aplauso do parlamento.
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