Espanha. Sánchez promete tentar maioria parlamentar e formar Governo com a esquerda

O ainda primeiro-ministro espanhol prometeu que, assim que o Parlamento for constituído, vai tentar a investidura para garantir um Governo por mais quatro anos. Num vídeo divulgado nas redes sociais, Pedro Sánchez sustentou que o objetivo é permitir à Espanha "continuar a avançar" e que acredita ter condições para conseguir uma maioria parlamentar, formando uma coligação de esquerda, e que não vai esperar por Alberto Núñez Feijóo.

Inês Moreira Santos - RTP /
EPA

“Estou convencido de que existe uma ampla maioria social para continuar a avançar”, escreveu na publicação que acompanha o vídeo no X (antigo Twitter), fechando qualquer possibilidade de acordo com o Partido Popular (PP).

Confiante de que depois de constituído o Parlamento, Sánchez vai propor a reeleição do Governo do PSOE em coligação com os partidos mais à esquerda.

“Agora é hora de traduzir essa maioria social numa maioria parlamentar no Congresso dos Deputados. E é o que vamos fazer assim que as Cortes forem constituídas: trabalhar para conseguir uma investidura que nos permita continuar a avançar”, acrescentou o primeiro-ministro espanhol, após rejeitar o convite do líder do PP para se reunir antes da constituição do Parlamento.



No comunicado em vídeo, Sánchez relembrou que continua uma pergunta no ar, desde as eleições gerais: os espanhóis querem uma maioria de esquerda ou "o retrocesso que propõe o PP e o Vox"?

Acreditando que poderá conseguir uma maioria parlamentar, o governante recordou que mais de oito milhões de eleitores votaram no PSOE, mostrando que não queriam uma Governo de direita ou uma coligação entre o PP e o Vox.

Sánchez lembrou que as sondagens revelaram que os que propõem "a revogação e o retrocesso não são a maioria" e, por isso, o país pode continuar a crescer e a gerar empregos enquanto continua a avançar nos direitos sociais e na convivência na diversidade.

"A legislatura passada foi marcada pelas adversidades derivadas da pandemia, a guerra na Ucrânia e outros contratempos e calamidades", recordou. "Agora há um horizonte diferente porque é o momento de consolidar o crescimento económico, de industrializar Espanha (...), é o momento de criar maus e melhores empregos".

O líder socialista prometeu ainda tornar a habitação “a grande causa nacional dos próximos anos e fazer de Espanha uma referência em resposta” às duas grandes revoluções, a digital e a tecnológica”.

"Agora é necessário traduzir esta maioria social numa maioria parlamentar no Congresso dos Deputados".

O líder do PP já reagiu, também nas redes sociais, declarando que ganhou as eleições e, por isso, deve liderar o processo de tomada de posse do próximo governante espanhol e a escutar os restantes partidos.

"Como vencedor das eleições, devo ouvir os restantes partidos", escreveu. "Não vou aceitar que ninguém converta em minoria metade dos espanhóis".

Feijóo frisou ainda que "ignorar milhões de cidadãos não é eleger governos, mas sim dividir o país".



Recorde-se que o PSOE foi o segundo partido mais votado nas recentes eleições em Espanha, mas ao contrário do PP tem ainda possibilidades de conseguir os apoios parlamentares para nova investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro.

Os socialistas têm mais aliados no Parlamento do que o PP e, se chegar a acordo com todos eles, Sánchez tem possibilidade de voltar a ser primeiro-ministro, à frente de um governo de coligação PSOE/Somar.
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