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Espanha vai desclassificar documentos do golpe de Estado de 1981

Espanha vai desclassificar documentos do golpe de Estado de 1981

“A memória não pode se trancada”, defende Pedro Sánchez, o presidente do Governo espanhol.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Imagem do tenente-coronel da Guardia Civil Antonio Tejero, quando entrou de arma em punho no Congresso. Foto: Wikipedia

O Governo espanhol irá desclassificar na quarta-feira documentos relacionados com a tentativa de golpe de Estado de 23 de fevereiro de 1981 (23-F). A informação foi avançada pelo presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, na rede social X.

“A memória não pode se trancada”, defendeu o primeiro-ministro Sánchez, que justifica a desclassificação dos documentos da tentativa de golpe de Estado do 23-F como uma forma de “sanar uma dívida histórica com a cidadania”.


De acordo com a televisão pública espanhola RTVE, apesar do anúncio da divulgação ter sido apontada para terça-feira, a desclassificação dos documentos oficiais será feita no dia seguinte, às 12h, com publicação do Boletim Oficial do Estado e disponível na página oficial do governo espanhol.

Os documentos incluem os arquivos do antigo serviço espanhol de inteligência, a transcrição das escutas do golpe e o resumo do julgamento.

A desclassificação dos documentos está prevista na Lei de Informação Classificada, aprovada em Conselho de Ministros de julho de 2025, que estabelece a divulgação de documentos ultrassecretos ao fim de 45 anos (com possível prorrogação de 15 anos).

A tentativa de golpe de Estado do 23-F foi liderada pelo tenente-coronel Antonio Tejero Molina, que entrou em plena sessão do parlamento com 200 guardas civis e tomou como reféns os deputados e membros do governo, durante 18 horas, com o objetivo de reverter o processo democrático e aproveitar o descontentamento de setores militares e da Guardia Civil para restaurar o autoritarismo.



Nessa sessão estava a ser votada a investidura de Leopoldo Calvo-Sotelo e, em simultâneo, o comandante da Região Militar de Valência, general Milans del Bosch, dirigiu 50 tanques rumo a Madrid.

A desautorização pública do rei Juan Carlos ao golpe permitiria que a intentona fosse gorada e os autores detidos.
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