Espanhol condenado a 30 anos de prisão em França por morte e violação de jovem
A justiça francesa confirmou hoje em recurso a condenação a 30 anos de prisão, 20 dos quais efectivos, do espanhol Francisco Arce Montes, pela morte e violação da adolescente britânica Caroline Dickinson, em Julho de 1996.
Os jurados e os magistrados do tribunal de Saint-Brieuc (oeste da França) não seguiram as recomendações do Ministério Público que pediu segunda-feira a pena de prisão perpétua para o acusado, com 25 anos de reclusão obrigatória.
Caroline Dickinson, de 13 anos, foi encontrada morta asfixiada e violada no quarto que partilhava com quatro colegas numa residência turística de estudantes de Pleine-Fougères (Ille-et-Vilaine), na costa bretã, a 18 de Julho de 1996.
A 14 de Junho de 2004 o tribunal de Ille-et-Vilaine condenou Arce Montes, actualmente com 55 anos, a uma pena de 30 anos de prisão, um terço dos quais de reclusão efectiva.
No início deste segundo processo, o espanhol disse ter apresentado recurso para se explicar e dizer a verdade à família de Carolina.
Arce Montes admitiu hoje que tapou a boca de Dickinson para que não gritasse enquanto a violava, mas que jamais teve intenção de a matar.
Assegurando que entendia "a dor e o desejo" de que Carolina "estivesse hoje com eles", o espanhol reconheceu que os seus actos foram "horríveis", mas não premeditados: "só queria que não gritasse".
"Fiz algo horrível, aceito-o, mas quero ter a oportunidade de ter um dia uma vida normal", disse Montes, pedindo ao tribunal que não o deixasse "morrer na prisão".
Após as declarações do espanhol, o procurador público François René Aubry sublinhou que a morte da adolescente britânica não foi uma violação que derivou em homicídio como pretende o arguido, acentuando que a sua reinserção social é "impossível durante muito tempo".