Espanhol Podemos assegura que é o partido mais capaz para enfrentar a direita
O partido espanhol de extrema-esquerda Podemos, que apoia o Governo de Pedro Sánchez, assegurou hoje em Madrid que é o mais capaz para enfrentar a direita nas eleições de 28 de abril próximo.
Numa conferência de imprensa, depois de o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, ter convocado eleições antecipadas para o último domingo de abril, a número dois do Podemos, Irene Montero, sublinhou que o "voto útil" na sua formação irá permitir barrar o caminho à direita e garantir a continuação do diálogo com os independentistas catalães.
Montero defendeu que o líder do Podemos, Pablo Iglesias, é o único dirigente político a quem não irão "tremer as pernas" no confronto com os "poderosos", enquanto o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) já demonstrou a sua debilidade.
O Podemos é o partido mais importante da coligação de extrema-esquerda Unidos Podemos que assegurava, no parlamento, um apoio essencial ao executivo socialista minoritário espanhol.
Por outro lado, o líder do Cidadãos (direita liberal), Albert Rivera, defendeu que a convocação de eleições significa que hoje é um "grande dia" e aplaudiu o fim da "escapada de Sánchez", que conseguiu ser chefe do Governo durante mais de oito meses.
"Poderemos ir finalmente votar num novo primeiro-ministro e numa nova maioria", disse Rivera, ao mesmo tempo que insistiu na boa notícia de "se devolver a voz ao povo espanhol".
O líder do principal partido da oposição espanhola, Pablo Casado, do Partido Popular (direita), já tinha defendido que foi a sua formação que obrigou o Governo socialista a "atirar a toalha ao chão".
Casado também afirmou estar "muito contente" e criticou a "instrumentalização" que o primeiro-ministro tentou fazer com os jornalistas ao falar como se estivesse num "meeting", durante mais de 40 minutos, para só em seguida anunciar a data da ida às urnas.
Para Pablo Casado, a convocação de eleições antecipadas foi possível porque o PP apanhou o executivo "a negociar" com os independentistas catalães, e nas urnas os espanhóis terão de escolher se querem um Governo "que negoceia com" os separatistas ou com o PP, que irá fazer com que Madrid volte a intervir na Catalunha.
O primeiro-ministro socialista espanhol convocou hoje eleições legislativas antecipadas para 28 de abril próximo, as terceiras em menos de quatro anos, depois de o parlamento ter chumbado o seu projeto de Orçamento para 2019, na quarta-feira.
Pedro Sánchez justificou o seu anúncio porque "entre não fazer nada", continuando a governar com o orçamento do chefe do Governo anterior, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP, direita), e "dar a palavra aos espanhóis", prefere a segunda opção.
Pedro Sánchez, que lidera o Governo mais minoritário da história democrática espanhola, não conseguiu manter a maioria frágil formada pelo PSOE com o Unidos Podemos (extrema-esquerda), nacionalistas bascos e independentistas catalães.
Os partidos independentistas catalães foram os grandes responsáveis pelo resultado da votação sobre o projeto orçamental na última quarta-feira, tendo-se colocado ao lado da oposição de direita, depois de terem sido decisivos para a subida de Sánchez ao poder há oito meses.
A atual legislatura, que terminará em 05 de março próximo, depois de o jornal oficial do Estado publicar a dissolução das Cortes e a convocatória de eleições em 28 de abril, terá 959 dias de duração, a quarta mais curta da democracia espanhola.
O atual Congresso dos Deputados (câmara baixa do parlamento) tem 350 deputados, dos quais 134 são do PP, 84 do PSOE, 67 do Unidos Podemos e 32 do Cidadãos.