Especialistas analisam operação especial norte-americana na Venezuela

Donald Trump quer reforçar o domínio norte-americano no hemisfério ocidental e admite que a Gronelândia possa ser um próximo alvo - quais as consequências para a Europa?

RTP /
Os Estados Unidos levaram a cabo uma operação especial na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro e da mulher. Há cinco meses que a tensão entre os dois países aumentava. Maduro e a mulher estão a ser julgados por vários crimes, como o narcoterrorismo.

"A acusação é falsa e inteligente", garante Andrés Malamud, investigador principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. O especialista explica que a droga que passa pela Venezuela não vai para os EUA, mas para a Europa. Mesmo assim, a operação norte-americana, ao ser classificada como "missão policial" em vez de "militar", poupou a Donald Trump uma autorização ao Congresso. Um pormenor inteligente, na perspetiva do investigador.

Para Alberto Cunha, professor de Relações Internacionais da Universidade de Lisboa, os Estados Unidos passam a mensagem de que é legítimo intervir naquilo que consideram ser a sua área de influência, legitimando outras países a fazerem o mesmo, como a Rússia ou a China. "Quase ninguém se lembra que a Rússia interveio na Ucrânia por direitos humanos. A Rússia invocou as falhas do tratamento das minorias russas para a sua invasão", compara o especialista.

Donald Trump quer reforçar o domínio norte-americano no hemisfério ocidental e admite que a Gronelândia possa ser um alvo. O mundo aguarda os próximos passos dos EUA. Segundos os especialistas, a Europa deve acelerar o processo de adesão da Ucrânia à União Europeia e investir mais em defesa.
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