Especialistas dos EUA questionam estratégia japonesa

O chefe da Autoridade de Regulação Atómica dos Estados Unidos, Gregory Jaczko, deu invulgar publicidade a uma crítica dirigida aos seus colegas japoneses: estes não estariam, segundo Jaczko, a concentrar os seus esforços no reator certo. Outras críticas têm-se dirigido principalmente à transparência, ou falta dela, das autoridades japonesas na gestão da crise.

RTP /
Pessoal médico medindo o nível que radiação de pessoas residentes nas imediações de Fukushima e evacuadas de suas casas Asahi Shimbun, Epa

Uma das críticas aponta para a operação de arrefecimento do reator 3, que tem estado a ser constantemente regado com água. Segundo os especialistas norte-americanos, essa acção é inútil, porque grande parte dessa água se dispersa e não atinge o reator.

A outra crítica refere-se ao reator 4, que na opinião de Jaczko, citada no New York Times, corre um risco ainda maior que o reator 3. Os tanques desse reator estariam neste momento já sem água e as barras de combustível aí existentes estariam portanto em seco.

Por esse motivo, acrescentam, o risco de fuga radioativa no reator 4 seria "extremamente alto" e representaria para os trabalhadores da central, segundo o mesmo Jaczko, um perigo mortal. Os responsáveis japoneses negam que exista um perigo tão agudo no reator 4, mas Hikaru Kuroda, um dos funcionários da companhia exploradora da central, a Tepco, admite ter "medo de que o nível de água no reator 4 seja o mais baixo.

O perímetro de precaução imposto à população civil é também, na avaliação dos peritos norte-americanos, demasiado pequeno: 30 quilómetros, em vez dos 80 que devia ser. Neste aspecto, os peritos dos EUA encontram-se acompanhados pelo governador da prefeitura de Fukushima, Yuhei Sato, citado pelo site de Der Spiegel: "O medo e ultraje que as pessoas sentem em Fukushima atingiram o ponto de fusão".

Também a Agência Internacional para a Energia Atómica (AIEA) afirma que as temperaturas dos tanques atingiram valores altíssimos, mesmo nos dosi reatores que até aqui têm passado por intectos (5 e 6). Em vez da temperatura normal de 25 graus centígrados, os tanques do reator 3 apresentariam agora temperaturas na ordem dos 84 graus e, mesmo os tanques dos reatores 5 e 6, teriam já ultrapassado os 60 graus.
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