Espectacular assalto a um banco argentino

Os assaltantes entraram no Ano Novo a trabalhar e depois passaram o feriado dentro do banco, a fazerem uma cuidadosa triagem do que lhes interessava levar. Tinham cavado um túnel com mais de 30 metros, que estava devidamente escorado, ventilado e iluminado. Agora discute-se quem foi responsável pelo fiasco no sistema de segurança.

RTP /
Casa roubada, trancas à porta. Depois de serem ludibriados pelos assaltantes, polícias impedem acesso de clientes ao banco. Leo la Valle, Epa

O banco aliviado pelos larápios é o Banco Provincia, na capital argentina, Buenos Aires. Tem à sua guarda 1.408 cofres individuais, em que os clientes depositam o que entendem e quanto entendem, sem disso darem contas àquele instituto de crédito. Desses 1.408 cofres, foram agora roubados uns dez por cento: entre 130 e 140.

O problema para reembolsar os depositantes está precisamente em que o banco não conhece o valor do que se encontrava dentro dos cofres. Antecipa-se portanto uma larga série de discussões com as seguradoras, dentro ou fora dos tribunais.

Os ladrões tinham alugado um edifício ao lado do Banco Provincia e passaram vários meses a cavar o túnel, que foi perfeitamente calculado para emergir no compartimento do banco onde se encontram os cofres. Tiveram todo o fim de semana para escolher e levar o que queriam. O roubo apenas foi detectado na manrã de segunda feira.

O procurador público argentino Martin Niklison, citado pela Al Jazeera, afirma que "foi um trabalho realmente impressionante" e admite que possa ter havido cúmplices dentro do banco.

Por sua vez, o chefe de gabinete do Governo, Aníbal Fernández, citado pelo diário argentino La Nacion, foi ao ponto de defender que se examinasse "se houve responsabilidade da instituição". Entre as interrogações que se colocam, está a de saber por que não houve qualquer reacção quando a actividade dos assaltantes accionou os alarmes anti-sísmicos do banco. E, de forma sibilina, Fernández acrescentou que "houve sinais de alarme a que não se prestou atenção, pelo menos segundo os comentários que me chegaram, pelo que falha a partir deste momento qualquer tipo de proposta (para melhorar a segurança dos bancos)"

Numerosos clientes dirigiram-se ontem ao banco, uns para saberem se os seus cofres se encontravam entre os roubados, outros para levantarem os seus depósitos. O vice-presidente do banco, Gustavo Marangoni, afirmou que a sua mensagem a esses clientes "é a de que vamos proteger os seus interesses depois deste incidente".

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