Estado Islâmico reivindica ataque que destruiu acampamento turístico de Carlos Queiroz

Estado Islâmico reivindica ataque que destruiu acampamento turístico de Carlos Queiroz

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram hoje o ataque na Coutada de Marangira, na Reserva Especial do Niassa, norte do Moçambique, que destruiu o acampamento turístico associado ao treinador de futebol luso-moçambicano Carlos Queiroz.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Liu Jie / XINHUA / Xinhua via AFP

A reivindicação, feita através dos canais de propaganda do Estado Islâmico, refere que o ataque aconteceu na quinta-feira, com os elementos do grupo, que opera a partir da província vizinha de Cabo Delgado, a incendiarem um posto da polícia "com armas automáticas", o que "resultou em ferimentos num elemento policial e na fuga dos restantes".

Durante o ataque, relata-se na reivindicação, foram ainda incendiados em edifício governamental, uma igreja católica veículos e residências, além dos equipamentos associados ao acampamento de turismo e safaris de Carlos Queiroz, com prejuízos já estimados em 3,5 milhões de dólares (três milhões de euros).

A incursão armada de quinta-feira passada à Coutada de Marangira, na Reserva Especial do Niassa provocou pelo menos um morto, a deslocação de 2.700 pessoas, além da destruição de infraestruturas turísticas e o rapto de 11 pessoas, segundo as autoridades moçambicanas.

As autoridades moçambicanas reforçaram nos últimos dias a segurança na Coutada de Marangira, conforme avançou o chefe de relações públicas da Polícia da República de Moçambique (PRM) na província do Niassa, Osvaldo Mahando.

"As nossas forças policiais e as demais forças de defesa e segurança continuam empenhadas em garantir que haja circulação de pessoas e bens e reforçar a segurança na zona do ataque e da província em geral", disse.

Segundo a polícia, as populações que se haviam refugiado em povoados vizinhos encontram-se em segurança e já começaram a regressar às zonas de origem com o acompanhamento das forças policiais no local.

O porta-voz da PRM naquela província acrescentou que duas viaturas antes roubadas já foram recuperadas, mas as 11 pessoas raptadas continuam desaparecidas, com a polícia a prometer intensificar as buscas.

"Neste momento a situação é calma, as populações voltaram aos seus locais de origem, há este movimento de regresso a locais de origem, as nossas forças continuam empenhadas e a todo o terreno a garantir que esta reposição da ordem pública continue e prevaleça nos tempos que se seguem", disse Osvaldo Mahando.

As autoridades moçambicanas apontaram antes que os atacantes terão partido da vizinha província de Cabo Delgado, rica em gás e epicentro da insurgência armada que afeta o norte do país desde 2017.

O analista Peter Bofin considerou que o ataque insurgente que destruiu um acampamento turístico associado ao treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz, atualmente selecionador do Gana, visou o reabastecimento logístico, impacto económico e propaganda internacional.

"Este tipo de ataque tem múltiplos objetivos. Em primeiro lugar, é uma forma de reabastecimento, alimentos, algumas armas e outro equipamento terão sido capturados. Pelo menos duas viaturas também foram levadas, apesar de posteriormente terem sido abandonadas", explicou o analista sénior para a África austral da organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês).

Desde 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados, tendo registado desde 2025 incursões esporádicas para as províncias vizinhas de Niassa e Nampula.

Dados divulgados recentemente pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que a violência armada em Cabo Delgado provocou 1.401 deslocados em agosto e que os incidentes de conflito aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano face ao período homólogo.

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