Estado Islâmico reivindica atentados suicidas em Bagdade

por Inês Moreira Santos - RTP
Ahmed Jalil - EPA

O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou o duplo atentado suicida perpetrado na quinta-feira num movimentado mercado de Bagdade. De acordo o último balanço, o ataque causou 32 mortos e 110 feridos, alguns dos quais em estado grave.

Os dois bombardeamentos, que ocorreram quase em simultâneo e são já considerados o ataque mais mortífero no Iraque dos últimos três anos, foram reinvindicados pelo Estado Islâmico na última noite.

As explosões, a primeira no meio do mercado e a segunda quando um grupo de pessoas tentava ajudar os feridos resultantes da primeira detonação, foram provocadas por homens vestidos com um colete de explosivos.

O alvo eram muçulmanos xiitas, segundo um comunicado da agência de notícias Amaq citado pela BBC.

Um primeiro homem acionou o cinto de explosivos que transportava no meio dos vendedores e transeuntes no mercado de roupas em segunda mão na Praça Tayaran, explicou o Ministério do Interior do Iraque. Quando se juntou uma multidão para auxiliar as vítimas, um segundo homem detonou os explosivos que transportava, acrescentou.

Segundo um vendedor do mercado testemunhou à Reuters, o primeiro homem "pressionou o detonador na mão", "explodiu imediatamente e as pessoas despedaçaram-se".

Na praça onde ocorreu o ataque, eram visíveis poças de sangue e pedaços de roupa rasgadas pelas explosões, constatou no local um fotógrafo da AFP.

Segundo o ministro da Saúde do Iraque, Hassan al-Tamimi, além dos 32 mortos registaram-se ainda 110 feridos em Bagdade, que tem dez milhões de habitantes, e que colocou todo o pessoal médico em alerta máximo.

A reivindicação do grupo jihadista, feita através das contas do Telegram, aconteceu várias horas após o ataque.
Ataque mais mortífero dos últimos três anos

Este atentado suicida em Bagdade é o primeiro grande ataque, no mesmo local, dos últimos três anos.

Há três anos, no mesma zona da cidade, ocorreu um ataque semelhante que vitimou 31 pessoas, logo após o primeiro-ministro Haidar al-Abadi ter declarado vitória na campanha contra o Estado Islâmico. Tal como em 2018, o atentado de quinta-feira aconteceu numa altura em que se preparam as eleições legislatvas que, no Iraque, coincidem com o aumento de atos de violência.

Através do Twitter, o Presidente iraquinano, Salam Saleh, considerou estes ataques como "tentativas malignas de abalar a estabilidade do país".

o primeiro-ministro, Moustafa al-Kazimi, anunciou a substituição de altos cargos após um ataque.

Os atentados suicidas tornaram-se raros na capital iraquiana desde que o grupo extremista foi derrotado militarmente na região, no final de 2017.

O Estado Islâmico já controlou parte do território do leste do Iraque ao oeste da Síria e impôs o seu domínio brutal a quase oito milhões de pessoas. Desde que Bagdade assegurou ter combatido o grupo extremista, as células terrorista tem estado refugiadas nas áreas montanhosas e desérticas do Iraque.

Apesar da derrota dos jihadistas no campo de batalha, um relatório das Nações Unidas (ONU), divulgado em agosto de 2020, estimou que mais de 10 mil combatentes do Estado Islâmico permanecessem ativos no Iraque e na Síria.

De facto, nos últimos tempos têm ocorrido vários ataques do Estado Islâmico e de outros grupos armados no Iraque. As milícias armadas são responsáveis por vários ataques contra a presença norte-americana no Iraque, apesar de terem sido alcançadas tréguas no passado mês de outubro.

Este ataque ocorreu após os Estados Unidos terem reduzido o número de militares no Iraque e numa altura em que as autoridades do iraquianas discutem a organização de eleições Legislativas antecipadas em outubro, o que está a criar tensões políticas no país.
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