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Estados do Golfo pedem luz verde à ONU para desobstruir estreito de Ormuz

Estados do Golfo pedem luz verde à ONU para desobstruir estreito de Ormuz

O Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês) pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) que autorize o uso da força para desobstruir o estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão.

Lusa /

"O Irão fechou o estreito de Ormuz, impedindo a passagem de navios comerciais e petroleiros e impondo condições para permitir que alguns o façam", declarou, na quinta-feira, o secretário-geral do GCC.

"Pedimos ao Conselho de Segurança que assuma as suas plenas responsabilidades e tome todas as medidas necessárias para proteger os corredores marítimos e garantir a continuidade segura da navegação internacional", insistiu Jassem Al-Budaiwi, em Nova Iorque.

A declaração do dirigente do GCC, organização que inclui Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Qatar, Kuwait e Omã, surgiu numa altura em que os Conselho de Segurança debate uma resolução sobre Ormuz.

A proposta do Bahrein iria autorizar o uso da força para libertar o estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão, uma iniciativa apoiada pelos Estados Unidos, mas que não é unanimemente aceite.

Após várias revisões, a sexta e última versão do texto, vista pela agência de notícias France-Presse na quinta-feira, resulta de um compromisso que visa persuadir a França, a Rússia e, em particular, a China a retirarem as suas objeções.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, tinha manifestado ceticismo na quinta-feira de manhã sobre uma operação militar para desobstruir o Estreito, considerando-a irrealista.

A versão mais recente da resolução sublinha que qualquer Estado ou coligação de Estados poderia utilizar meios "defensivos" para garantir a segurança dos navios. Esta disposição sobre um mandato defensivo estava ausente da versão inicial.

No entanto, não é certo que a alteração seja suficiente para convencer a Rússia e a China, que têm poder de veto.

"No contexto atual, autorizar os Estados-membros a usar a força equivaleria a legitimar o uso ilegal e indiscriminado da força, o que conduziria inevitavelmente a uma escalada ainda maior", afirmou o embaixador chinês Fu Cong, enquanto a Rússia, aliada de longa data de Teerão, denunciou o texto como tendencioso.

Na quinta-feira, numa reunião do Conselho de Segurança sobre a cooperação entre as Nações Unidas e a Liga dos Estados Árabes, o chefe da diplomacia do Bahrein apresentou mais detalhes sobre a resolução.

"O objetivo é proteger uma das rotas marítimas mais vitais para o comércio e a segurança", assumiu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, manifestando esperança de que o texto seja adotado por unanimidade.

O Bahrein detém em abril a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, durante a qual dará destaque à guerra no Médio Oriente, à situação no estreito de Ormuz e à cooperação da organização com outros organismos regionais.

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