Estados Unidos defendem fim da UNMISET em Timor-Leste

Os Estados Unidos querem o fim da missão da ONU em Timor-leste (UNMISET) em Maio, seguindo o calendário previsto, disse segunda-feira ao Conselho de Segurança das Nações Unidas o representante norte-americano, Reed Fendrik.

Agência LUSA /
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Fendrik falou durante uma sessão do Conselho de Segurança convocada para analisar uma proposta do secretário-geral da Onu, Kofi Annan, para que o mandato da UNMISET seja prolongado por mais um ano, apenas com um total de 130 funcionários civis, militares e policiais.

Apesar do debate de segunda-feira no Conselho de Segurança ter demonstrado que existe um apoio generalizado à continuação da presença da ONU em Timor-Leste, os Estados Unidos deixaram claro que se opõem à renovação do mandato da UNMISET, embora estejam dispostos a aceitar uma participação mais "discreta" e "modesta" das Nações Unidas.

Os Estados Unidos foram apoiados nesta posição pela Grã-Bretanha, outro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança com poder de veto.

O conselheiro político da missão dos Estados Unidos na ONU, Reed Fendrik, disse ser "claro" para os Estados Unidos que "a fase de manutenção de paz" pode agora ser concluída "com sucesso".

"Já não há uma ameaça à paz e segurança internacional que exija uma missão de manutenção de paz. Para além disso, as relações entre a Indonésia e Timor-Leste estão a melhorar", disse Fendrik.

"Acreditamos que a UNMISET deve terminar em Maio, como programado, e que a ONU e os parceiros regionais e internacionais devem procurar alternativas para preencher os vazios em instituições criticas", acrescentou.

O diplomata norte-americano disse que os Estados Unidos estão dispostos a considerar uma "missão política especial" por tempo limitado.

As autoridades norte-americanas defendem igualmente que esta presença "discreta" deve centrar-se "nas necessidades mais críticas de Timor-Leste" e que deve ser "estruturada para transferir conhecimentos o mais rapidamente possível".

O representante norte-americano indicou que o seu país quer que essa missão seja composta por números menores do que os propostos por Annan para as diversas áreas em que Timor-Leste necessita de ajuda.

"Um apoio mais modesto da ONU para cada uma dessas áreas poderá ser suficiente para mantermos o nosso objectivo de entregar mais responsabilidade ao governo de Timor-Leste", disse o representante dos Estados Unidos.

Fontes diplomáticas disseram que a declaração dos Estados Unidos significa que vai ter que haver "intensas" negociações até Maio para se decidir qual a presença da ONU.

As mesmas fontes indicaram que a presença dos mais de 400 soldados da forca de manutenção de paz poderá ser eliminada totalmente e que mesmo a proposta de Annan para um total de 130 conselheiros policiais, civis e "oficiais militares de ligação" terá que ser reduzida.

Os países membros do Conselho de Segurança, e outros de importância para Timor-Leste, como a Austrália e Portugal, declararam o seu apoio à proposta de Kofi Annan.

Konstantin Dolgov, da Rússia, disse que a continuação da presença da ONU em Timor-Leste é "importante", porque o país precisa de "ajuda internacional para garantir a segurança e estabilidade".

A França informou o Conselho de Segurança que vai "considerar positivamente as propostas do Secretário-geral para manter a presença das Nações Unidas" em Timor-leste, embora tenha frisado a necessidade de se aumentar a cooperação bilateral e multilateral com Díli.

A China exortou os países membros do Conselho de Segurança a tomarem em "consideração" as propostas de Annan para "assegurar o desenvolvimento e estabilidade duradouras" de Timor-leste.

O representante da Grã-Bretanha, Emyr Jones Parry, disse que o seu país apoia "a continuação da presença da ONU" em Timor-Leste para além de Maio.

No entanto, segundo a Grã-Bretanha, a missão deverá ser "política", com "uma clara estratégia de saída e concentrada na construção de instituições".

O representante da Austrália, John Dauth, disse que o seu país quer que a ONU continue em Timor-Leste depois do mês de Maio para "garantir o considerável investimento feito pela comunidade internacional".

"Contudo o actual ambiente de segurança externa não requer a continua presença de forças de paz na fronteira", disse Dauth, para quem qualquer futura presença da ONU em Timor-Leste não deverá ser financiada pelos fundos para operações de paz mas sim pelo "orçamento regular" das Nações Unidas.

A Austrália fornece actualmente o terceiro maior contingente (112 homens) para a força militar e policial estacionada em Timor-Leste que conta com um total de 610 homens.

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