Estados Unidos. Ocasio-Cortez obtém vitória esmagadora nas primárias democratas

Depois de ter surpreendido em 2018 o candidato Joe Crowley, Alexandria Ocasio-Cortez voltou a vencer as eleições primárias no distrito de Queens do Bronx de forma esmagadora. Agora no Congresso norte-americano, AOC venceu Michelle Caruso-Cabrera, apoiada pelo lobby de Wall Street, com cerca de 70 por cento dos votos. Nas redes sociais, Ocasio-Cortez afirmou que a vitória de há dois anos não foi um percalço.

RTP /
Alexandria Ocasio-Cortez voltou a vencer as eleições primárias democratas em Nova Iorque Reuters

Numas eleições em que a ala esquerda do Partido Democrata conseguiu grandes vitórias sobre os pesos pesados do partido, Alexandria Ocasio-Cortez repetiu a vitória de há dois anos, mas agora com números esmagadores. A adversária era Michelle Cabrera-Caruso, uma antiga jornalista da CNBC, que teve menos de 20 por cento dos votos, apesar do apoio do lobby de Wall Street.

Nas redes sociais, a congressista declarou que apesar da campanha de descredibilização de que foi alvo, a vitória de 2018, agora confirmada em 2020, não foi um percalço, um episódio sobrenatural. “Quando venci em 2018, muitos apelidaram a minha vitória como um acaso. Provámos que a votação das pessoas de Nova Iorque não foi um acidente. É sim, um mandato”.



Depois da derrota de Bernie Sanders para o candidato do establishment democrata, Joe Biden, na corrida às presidenciais norte-americanas, muitos viam o movimento progressista nos Estados Unidos a perder força mas estas eleições primárias mostraram o contrário.

Para além da vitória de Ocasio-Cortez, muitos outros candidatos vistos como insurgentes conseguiram votações históricas contra adversários apoiados pelos grandes nomes do partido democrata.

Jamaal Bowman é um dos nomes mais destacados, ficando à frente de Eliot Engel, representante democrata na Câmara dos Representantes há mais de 30 anos e que juntou nomes como Hillary Clinton, Nancy Pelosi e Andrew Cuomo em apoio à sua candidatura.

No entanto, Bowman, diretor de uma escola básica, conseguiu cerca de 60 por cento dos votos, apesar de a contagem ainda não estar terminada e de o adversário ainda não ter admitido a derrota. Resultados que chegam na senda dos protestos de cariz social, após a morte de George Floyd às mãos da polícia de Minneapolis.



“Sou um negro criado por uma mãe solteira num bairro social. Estas histórias normalmente não terminam no Congresso. Mas, hoje, aquele rapaz de onze anos espancado pela polícia está prestes a ser o vosso representante. Mal posso esperar para chegar a [Washington] DC e causar problemas àqueles que mantêm o status quo”, declarou Bowman nas redes sociais.
Onda progressista abala os democratas

No entanto, as surpresas não se ficaram apenas por Jamaal Bowman e pela vitória de Ocasio-Cortez. Mondaire Jones (fortemente apoiado por Alexandria Ocasio-Cortez) e Ritchie Torres, negros e homossexuais, também estão na frente das respetivas corridas para substituir os representantes que agora se reformam.



Cameron Webb também conseguiu vencer três candidatos brancos nas eleições primárias na Virgínia Central e espera conseguir uma nomeação no Congresso norte-americano que pertence aos republicanos. No Kentucky, Charles Booker continua na corrida contra a antiga piloto Amy McGrath, apoiada pelo establishment democrata. Quem vencer irá defrontar Mitch McConnel no dia 3 de novembro para conseguir um assento no Congresso.

Muitos destes candidatos que concorrem tiveram o apoio de grupos democratas de esquerda como o Justice Democrats, o Partido das Famílias Trabalhadoras e do grupo Socialistas Democráticos da América.
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