Estados Unidos retiram 240 milhões de euros às Nações Unidas após voto sobre Jerusalém

Estados Unidos retiram 240 milhões de euros às Nações Unidas após voto sobre Jerusalém

Os Estados Unidos anunciaram que vão reduzir a sua participação no orçamento das Nações Unidas em cerca de 240 milhões de euros. Este corte é anunciado poucos dias depois de 128 países terem condenado a decisão norte-americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. Em comunicado, Washington não especifica as áreas afetadas e critica a “ineficiência” e “excesso de gastos” das Nações Unidas.

Christopher Marques - RTP /
Kevin Lamarque - Reuters

No comunicado divulgado a 24 de dezembro, a delegação dos Estados Unidos junto das Nações Unidas explica ter chegado a acordo para reduzir a sua participação no orçamento em 285 milhões de dólares, cerca de 240 milhões de euros.

Washington indica ainda que haverá outros cortes na gestão e nas funções de apoio à ONU. No comunicado, Washington ataca a gerência financeira das Nações Unidas, repetindo uma retórica que tem sido usada por Donald Trump.

“A ineficiência e o excesso de gastos das Nações Unidas são bem conhecidos. Não deixaremos mais que a generosidade do povo americano seja aproveitada sem controlo”, afirma a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas citada no comunicado.
Efeito Jerusalém
Apesar de não ser feita qualquer referência à contestação internacional perante a decisão norte-americana em reconhecer Jerusalém como capital de Israel, a proximidade das datas não deixa grande dúvida.

O comunicado dos Estados Unidos foi emitido no passado dia 24 de dezembro, três dias depois de a Assembleia-Geral das Nações Unidas ter condenado o reconhecimento norte-americano de Jerusalém como capital do Estado hebraico.

A resolução, sem caráter vinculativo, foi aprovada com os votos favoráveis de 128 países, 35 abstenções e nove votos contra. Para além dos Estados Unidos e de Israel, a resolução foi igualmente rejeitada pela Guatemala, Honduras, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru, Palau e Togo.

Esta resolução não foi bem aceite por Washington. Ainda antes da votação, o Presidente dos Estados Unidos tinha ameaçado cortar o apoio financeiro aos países que a votassem favoravelmente. A embaixadora dos Estados Unidos junto das Nações Unidas garantiu que Washington “vai recordar este dia” e ameaçou cortar o financiamento aos países que votaram favoravelmente e à própria ONU.

"Teremos memória quando formos chamados uma vez mais para realizar a maior contribuição do mundo para as Nações Unidas", acrescentou.
EUA, principal contribuinte da ONU
Apesar de fazer referência a um corte de 285 milhões de dólares, os Estados Unidos não tornam claro qual será a sua participação no orçamento das Nações Unidas, nem as áreas a que se aplicam este corte.

Os Estados Unidos são o país que mais contribuem para o orçamento das Nações Unidas, uma vez que a participação de cada Estado-membro é essencialmente calculada em função do Produto Nacional Bruto.

A contribuição norte-americana representa 22 por cento do total: em 2017/18, Washington financiou 1,2 mil milhões dos 5,4 mil milhões de dólares do orçamento anual das Nações Unidas. Este montante ainda não inclui participações noutros programas específicos da ONU, como a UNICEF ou o Programa Alimentar Mundial.
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