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COVID-19
"Estamos todos juntos". Fauci afirma que o mundo falhou com a Índia
Anthony Fauci, o principal conselheiro da Casa Branca para o combate à pandemia, considera que os países não conseguiram dar uma resposta para prevenir o “trágico” surto de SARS-CoV-2 na Índia, apontando o dedo aos países mais ricos por não fornecerem acesso equitativo às vacinas.
“A única maneira de responder adequadamente a uma pandemia global é com uma resposta global. E isso significa igualdade em todo o mundo”, afirmou Fauci numa entrevista ao Guardain Australia.
Para o conselheiro da Casa Branca, apesar de a Organização Mundial da Saúde tentar acelerar o apoio à Índia através da plataforma COVAX – um programa global que visa garantir o acesso à vacina e outros medicamentos aos países mais necessitados -, “temos de fazer mais do que isso”.
A Índia ultrapassou esta quarta-feira os 200 mil mortos desde o início da pandemia, com 3293 óbitos em 24 horas, além de ter registado um novo máximo de infeções, com 360.960 casos.
“Os Estados Unidos realmente aceleraram a sua atividade para ajudar a Índia. Estamos a enviar oxigénio, remdisivir, equipamentos de proteção individual e outros medicamentos. E brevemente vamos enviar vacinas”, acrescentou Fauci.
O conselheiro da Casa Branca considera que “é uma responsabilidade que os países ricos têm de assumir. Neste momento, é uma situação trágica e terrível. As pessoas morrem porque não há oxigénio suficiente, não há camas hospitalares suficientes. Necessitamos de olhar para o futuro e obter a maior equidade possível quando se trata de saúde pública”.
“Estamos juntos nisto. É um mundo interconectado. E há responsabilidades que os países têm uns com os outros, especialmente se for um país rico que esteja a lidar com países que não têm os mesmos recursos e capacidades”.
Fauci defende que, no futuro, os países necessitam de ser atualizados para que os problemas emergentes possam ser detetados rapidamente.
Transparência e comunicação entre os países são fundamentais, frisou, acrescentando que este não é um problema apenas para países como a Índia, mas também para os Estados Unidos.
“Temos de ter capacidade de melhorar a vigilância internacional, para que quando algo surgir em determinado país não exista uma grande demora em obter o conhecimento do que está a acontecer”.
“Sei que nos Estados Unidos, por exemplo, o sistema de saúde pública não se tem mantido no nível que gostaríamos. Ainda estamos a usar aparelhos de fax, o que é realmente inaceitável. Temos de estar preparados para ter interconectividade”.
Anthony Fauci frisou ainda que os australianos se devem sentir gratos por terem duas vacinas seguras e eficazes, a AstraZeneca e Pfizer, mesmo que a distribuição tenha sido mais lenta do que o previsto.
“O facto de terem apenas duas vacinas disponíveis não significa que estejam em desvantagem, desde que tenham uma vacina suficientemente eficaz e segura. Não acho que o número de [diferentes tipos de] vacinas seja tão importante quanto obter o suficiente para a população”.
Questionado sobre se a situação na Índia e noutros locais, como na Papua-Nova Guiné, não significava que o mundo teria dificuldade em conter a pandemia de Covid-19, Fauci respondeu: “Acredito que chegaremos lá”.
“No entanto, torna-se mais difícil quando um país tem a propagação da infeção e não lida bem com isso. Num país onde existem muitos indivíduos imunossuprimidos, incluindo pessoas que estão infetadas com HIV e o SARS-CoV-2 as infeta, isso dá ao novo coronavírus a possibilidade de mutações, o que leva a novas variantes”, explicou.
Índia regista novos máximos
O país ultrapassou a barreira dos 200 mil mortos desde o início da pandemia. Em 24 horas foram registados mais 3293 óbitos e 360.960 novos casos de infeção.
Com uma população de 1,3 mil milhões de habitantes, a Índia está a braços com um surto devastador. Desde de início de abril, foram reportados quase seis milhões de novos casos.
O número diário de mortes e de casos de infeção é o maior de sempre. O país debate-se com falta de oxigénio e recursos para combater a segunda vaga da pandemia.
A explosão do número de casos, atribuída a uma variante detetada na Índia e a comícios eleitorais e festivais religiosos em grande escala, levou a uma sobrecarga nos hospitais que lutam com a falta de oxigénio, camas e medicamentos.
A índia, que administrou até agora 150 milhões de doses de vacinas, vai alargar a vacinação, a partir de sábado, a todos os adultos, o que significa que mais de 600 milhões de pessoas serão elegíveis.
Variante indiana detetada em 17 países
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a variante da Covid-19 detetada na Índia já foi identificada em pelo menos 17 países.
A estirpe B.1.617 foi detetada em mais de 1200 sequências de genoma de “pelo menos 17 países”, anunciou a OMS na última noite.
“A maioria das amostras vem da Índia, Reino Unido, Estados Unidos e Singapura”, lê-se no relatório semanal da Organização Mundial da Saúde.
Nos últimos dias, a variante indiana foi também encontrada em vários países europeus, incluindo Bélgica, Suíça, Grécia e Itália.
Em Portugal foram detetados seis casos da nova variante na última semana, todos associados à região de Lisboa e Vale do Tejo.
Esta variante, detetada em outubro no oeste da Índia, é qualificada como um “mutante duplo”, por ser constituída por duas mutações do SARS-CoV-2.
Para o conselheiro da Casa Branca, apesar de a Organização Mundial da Saúde tentar acelerar o apoio à Índia através da plataforma COVAX – um programa global que visa garantir o acesso à vacina e outros medicamentos aos países mais necessitados -, “temos de fazer mais do que isso”.
A Índia ultrapassou esta quarta-feira os 200 mil mortos desde o início da pandemia, com 3293 óbitos em 24 horas, além de ter registado um novo máximo de infeções, com 360.960 casos.
“Os Estados Unidos realmente aceleraram a sua atividade para ajudar a Índia. Estamos a enviar oxigénio, remdisivir, equipamentos de proteção individual e outros medicamentos. E brevemente vamos enviar vacinas”, acrescentou Fauci.
O conselheiro da Casa Branca considera que “é uma responsabilidade que os países ricos têm de assumir. Neste momento, é uma situação trágica e terrível. As pessoas morrem porque não há oxigénio suficiente, não há camas hospitalares suficientes. Necessitamos de olhar para o futuro e obter a maior equidade possível quando se trata de saúde pública”.
“Estamos juntos nisto. É um mundo interconectado. E há responsabilidades que os países têm uns com os outros, especialmente se for um país rico que esteja a lidar com países que não têm os mesmos recursos e capacidades”.
Fauci defende que, no futuro, os países necessitam de ser atualizados para que os problemas emergentes possam ser detetados rapidamente.
Transparência e comunicação entre os países são fundamentais, frisou, acrescentando que este não é um problema apenas para países como a Índia, mas também para os Estados Unidos.
“Temos de ter capacidade de melhorar a vigilância internacional, para que quando algo surgir em determinado país não exista uma grande demora em obter o conhecimento do que está a acontecer”.
“Sei que nos Estados Unidos, por exemplo, o sistema de saúde pública não se tem mantido no nível que gostaríamos. Ainda estamos a usar aparelhos de fax, o que é realmente inaceitável. Temos de estar preparados para ter interconectividade”.
Anthony Fauci frisou ainda que os australianos se devem sentir gratos por terem duas vacinas seguras e eficazes, a AstraZeneca e Pfizer, mesmo que a distribuição tenha sido mais lenta do que o previsto.
“O facto de terem apenas duas vacinas disponíveis não significa que estejam em desvantagem, desde que tenham uma vacina suficientemente eficaz e segura. Não acho que o número de [diferentes tipos de] vacinas seja tão importante quanto obter o suficiente para a população”.
Questionado sobre se a situação na Índia e noutros locais, como na Papua-Nova Guiné, não significava que o mundo teria dificuldade em conter a pandemia de Covid-19, Fauci respondeu: “Acredito que chegaremos lá”.
“No entanto, torna-se mais difícil quando um país tem a propagação da infeção e não lida bem com isso. Num país onde existem muitos indivíduos imunossuprimidos, incluindo pessoas que estão infetadas com HIV e o SARS-CoV-2 as infeta, isso dá ao novo coronavírus a possibilidade de mutações, o que leva a novas variantes”, explicou.
Índia regista novos máximos
O país ultrapassou a barreira dos 200 mil mortos desde o início da pandemia. Em 24 horas foram registados mais 3293 óbitos e 360.960 novos casos de infeção.
Com uma população de 1,3 mil milhões de habitantes, a Índia está a braços com um surto devastador. Desde de início de abril, foram reportados quase seis milhões de novos casos.
O número diário de mortes e de casos de infeção é o maior de sempre. O país debate-se com falta de oxigénio e recursos para combater a segunda vaga da pandemia.
A explosão do número de casos, atribuída a uma variante detetada na Índia e a comícios eleitorais e festivais religiosos em grande escala, levou a uma sobrecarga nos hospitais que lutam com a falta de oxigénio, camas e medicamentos.
A índia, que administrou até agora 150 milhões de doses de vacinas, vai alargar a vacinação, a partir de sábado, a todos os adultos, o que significa que mais de 600 milhões de pessoas serão elegíveis.
Variante indiana detetada em 17 países
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a variante da Covid-19 detetada na Índia já foi identificada em pelo menos 17 países.
A estirpe B.1.617 foi detetada em mais de 1200 sequências de genoma de “pelo menos 17 países”, anunciou a OMS na última noite.
“A maioria das amostras vem da Índia, Reino Unido, Estados Unidos e Singapura”, lê-se no relatório semanal da Organização Mundial da Saúde.
Nos últimos dias, a variante indiana foi também encontrada em vários países europeus, incluindo Bélgica, Suíça, Grécia e Itália.
Em Portugal foram detetados seis casos da nova variante na última semana, todos associados à região de Lisboa e Vale do Tejo.
Esta variante, detetada em outubro no oeste da Índia, é qualificada como um “mutante duplo”, por ser constituída por duas mutações do SARS-CoV-2.