Estónia pede reforços da NATO em permanência a leste para conter a Rússia

A NATO tem de repensar a atitude de defesa da Europa, nas fronteiras a leste, perante o contexto da invasão russa da Ucrânia, defende o Governo da Estónia. Para este país do Báltico, a Aliança Atlântica não pode mais subscrever uma estratégia de mera "armadilha" para aspirações expansionistas de Moscovo: deve assegurar um reforço militar permanente naquele flanco do Velho Continente.

RTP /
"Cold Response 2022": Exercícios militares conjuntos dos países membros da Nato, com a Finlândia e Suécia, na Noruega Yves Herman - Reuters

O mundo não vai ser o mesmo depois da invasão russa na Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro. Quem o diz é Jonatan Vseviov, secretário permanente do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia. O responsável enfatiza que os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte têm de rever a atitude para melhor defender a região e deter o avanço russo.

Num futuro de pós-guerra, vão surgir novas realidades geoestratégicas. "Estaremos num ambiente de segurança totalmente novo. Haverá uma nova Ucrânia. Haverá uma nova Rússia. Haverá uma nova Europa. Não há regresso a 23 de fevereiro", disse Vseviov, entrevistado em Washington pelo jornal britânico The Guardian.

As forças militares da Aliança Atlântica no leste europeu têm-se destinado a servir como "armadilha" a despoletar em caso de avanço russo.

A presença a leste de milhares de soldados dos Estados Unidos e da Europa ocidental pretende demonstrar a Moscovo que a aliança não só está atenta às movimentações russas como desencadeará um envio imediato de reforços, em caso de necessidade.

"A abordagem baseada num fio para fazer tropeçar depende da suposição de que quem está a ser dissuadido entende a ligação entre o fio de tropeçar e as forças de reforço", argumenta Vseviov.

Claramente, o Kremlin não acreditou nessa mensagem dissuasora ocidental e avançou pela Ucrânia. Para Vseviov, o que os russos não contaram foi com a força militar e determinação ucranianas.

Para o secretário permanente do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia, está na hora de a NATO assumir outra postura: "Precisamos agora de construir a defesa e dissuasão da NATO e a segurança europeia em geral, a longo prazo".

"Precisamos passar de uma dissuasão baseada no fio de armadilha para uma dissuasão baseada em defesa avançada"
, acrescentou.


Jonatan Vseviov - Twitter

Após o fim dos tensos anos da Guerra Fria, a capacidade da aliança assente no Tratado do Atlântico Norte decaiu. Vseviov defende a existência de contingentes permanentemente reforçados para garantir maior resistência às pretensões de Moscovo.

"Precisamos de ser menos dependentes de reforços e precisamos ter mais forças defensivas nos Estados da linha de frente desde o primeiro dia", observou Vseviov. “Acho que haverá amplo consenso político na NATO sobre a necessidade de agir dessa maneira e os detalhes exatos devem estar já a ser planeados".

Esta proposta da Estónia vai ser discutida na quinta-feira durante a cimeira extraordinária da NATO, assegurou Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos.

"Neste momento, o nosso secretário de Defesa e o comandante supremo aliado na Europa acreditam que têm uma atitude efetiva hoje para o que é necessário hoje", sublinhou Sullivan.

"A segunda [pergunta] é qual é a atitude da força de longo prazo, não apenas para essa contingência, essa emergência, essa invasão, mas ao longo do tempo. Isso é algo que o presidente discutirá com seus aliados na reunião da NATO, na quinta-feira", rematou.

Depois da invasão, as fronteiras dos Estados bálticos, da Polónia e restante Europa oriental viram chegar mais de 20 mil soldados de países-membros da NATO, a esmagadora maioria dos Estados Unidos.
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