Estudante indemnizado em 52 milhões de euros por queimaduras sofridas em aula de química

A cidade de Nova Iorque indemnizou um jovem de 17 anos pelas queimaduras graves que sofreu durante uma experiência numa aula de química em 2014. A experiência deixou de ser praticada em todas as escolas do Estado norte-americano.

RTP /
Enquanto fazia uma experiência numa aula de química, o adolescente foi atingido pela explosão do material utilizado, sofrendo queimaduras de terceiro grau Tobias Schwarz - Reuters

Em 2014, no que aparentava ser um dia de aulas regular na Secundária de Beacon, a vida do jovem estudante Alonzo Yanes mudaria para sempre. 

Enquanto fazia uma experiência numa aula de química, o adolescente de 17 anos foi atingido pela explosão do material utilizado, sofrendo queimaduras de terceiro grau em mais de 30 por cento do corpo, incluindo o rosto, as mãos e os braços.

O trabalho, intitulado de "experiência arco-íris", consiste na combustão de metanol e minerais salinos, alterando as cores da chama. 

Quando Yanes tentou fazê-la, gerou uma explosão que provocou fogo. Os seus colegas esconderam-se por trás de bancadas, sofrendo algumas queimaduras ligeiras, mas Yanes não teve tanta sorte. 

Foi levado para o hospital, onde esteve durante cinco meses, sendo submetido a várias cirurgias de enxerto de pele. Hoje, continua a receber tratamento para as graves queimaduras que o deixaram desfigurado e com cicatrizes permanentes.

"Escusado será dizer que os ferimentos sofridos por Alonzo foram horríveis. Foram uma mudança de vida e, infelizmente, desfiguradores", disse o advogado Ben Rubinowitz.

"Eu estava a ser queimado vivo, não conseguia apagar o fogo e a dor era tão insuportável", testemunhou Yanes.

A cidade de Nova Iorque foi condenada a indemnizar o estudante, agora com 21 anos, por não ter alegadamente alertado os professores para o perigo da experiência. Foi condenada a pagar 26 milhões de euros pela dor e sofrimento dos últimos cinco anos, e outros 26 milhões para a sua futura reabilitação.

O advogado afirmou que considera "lamentável que o Departamento de Educação e o docente não tenham admitido que foram irresponsáveis". E adiantou que a indemnização ajudará o jovem a continuar os tratamentos, mas “não pode consertar o passado". 

Meses após a explosão, a Comissão para a Sociedade Americana de Química divulgou uma alteração, recomendado às escolas que deixassem de fazer esta experiência. Segundo Nick Paolucci, porta-voz do Departamento Jurídico da cidade de Nova Iorque, a experiência já não é praticada nas escolas da cidade.

Face ao veredicto, o Departamento de Educação admite estar à procura de "opções legais para reduzir a indemnização para um montante que seja consistente com outras compensações estabelecidas pelos tribunais em casos semelhantes".
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