Estudante iraniana morre após ser espancada por se recusar a cantar hino pró-regime

O Irão está a ser palco de novos protestos devido ao mais recente incidente que está a chocar o mundo. Uma aluna de 16 anos morreu depois de ter sido espancada na sala de aula pelos serviços de segurança iranianos por se recusar a cantar um hino pró-regime. O incidente ocorreu na semana passada e incitou novos protestos em todo o país durante o fim de semana.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Sedat Suna - EPA

De acordo com o Conselho de Coordenação das Associações de Professores Iranianos, Asra Panahi, de 16 anos, morreu depois de as forças de segurança iranianas terem invadido a escola secundária em Ardabil, na passada quinta-feira.

As forças de segurança terão exigido ao grupo de adolescentes que cantasse um hino que enaltece o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei. As alunas recusaram e, ao invés, gritaram “liberdade para as mulheres”.

Quando se recusaram a cantar o hino, as forças de segurança espancaram as alunas. Várias foram levadas para o hospital e outras detidas. Panahi, de 16 anos, acabou por morrer na sexta-feira seguinte devido aos ferimentos sofridos pelas agressões.

As autoridades iranianas negam que as forças de segurança sejam responsáveis pela morte de Panahi. Depois de a morte da adolescente ter provocado indignação por todo o país, um homem identificado como o seu tio apareceu em canais televisivos estatais a alegar que a jovem aluna tinha morrido devido a um problema cardíaco congénito.
Onda de protestos
A morte de Panahi vem alimentar a onda de protestos violentos que se vive no Irão, incitada pela morte de Mahsa Amini, a jovem curda de 22 anos que morreu depois de ter sido presa pela polícia moral do Irão por ter violado um código de vestuário que exige que as mulheres usem um véu a cobrir a cabeça e os ombros. De acordo com o último relatório do grupo de Direitos Humanos do Irão, 215 pessoas, incluindo 27 crianças, foram mortas nos protestos em todo o país, desde 17 de setembro.

Várias alunas reagiram com indignação e revolta e vários vídeos têm sido divulgados nas redes sociais de adolescentes a agitarem os seus “hijabs” no ar, a derrubarem imagens de líderes supremos do Irão e a gritarem slogans anti-regime.

Um vídeo mostra mesmo três alunas, com cerca de nove anos, a agitarem os seus “hijabs” e a gritarem “mulheres, vida, liberdade”.


Em resposta à contestação, as autoridades iranianas invadiram várias escolas por todo o país na semana passada. Vídeos mostram as autoridades iranianas a invadirem as salas de aula, a prenderem violentamente as alunas e a lançarem gás lacrimogéneo em edifícios escolares.

Num comunicado publicado no domingo, o sindicato dos professores do Irão condenou os ataques “brutais e desumanos” e pediu a renúncia do ministro da Educação, Yousef Nouri.

Mais recentemente, o Irão foi igualmente alvo de críticas depois de ter sido acusado de deter uma atleta iraniana que participou no campeonato asiático de escalada sem véu, na Coreia do Sul.

O gesto da atleta foi visto como uma demonstração de apoio às mulheres iranianas que protestam há um mês contra a obrigatoriedade do uso do véu islâmico após a morte de Mahsa Amini.

No Instagram, a atleta Elnaz Rekabi disse, na segunda-feira, que estava a regressar ao Irão com o resto da equipa. Por sua vez, a BBC, citando uma fonte próxima, tinha avançado que amigos da atleta não estavam a conseguir contactá-la.

O governo de Teerão negou que a atleta iraniana Elnaz Rekabi tenha sido detida e obrigada a regressar ao Irão.

A alpinista falou pela primeira vez esta terça-feira, afirmando que o véu caiu por engano. No Instagram, Rekabi disse que "não usar o lenço de cabeça durante a competição em Seul não foi intencional”.

c/ agências
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