Estudantes atiram pedras e ovos à polícia em protestos contra Governo em Itália

Estudantes atiram pedras e ovos à polícia em protestos contra Governo em Itália

Estudantes atiraram hoje pedras e ovos à polícia em Turim, e petardos à polícia e ao Ministério da Educação em Roma, durante protestos antigovernamentais por toda a Itália exigindo mais verbas para as escolas e menos para armamento.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Francesco Fotia - Reuters

"Dinheiro para as escolas, não para a guerra" e "Menos armas, mais direitos" foram algumas das palavras de ordem repetidas pelos alunos do ensino secundário que saíram à rua em várias cidades italianas, na sequência de ocupações recentes das suas escolas.

"Fomos inspirados por França; as nossas escolas estão a desabar sobre as nossas cabeças", disse um aluno na capital do Piemonte (norte de Itália).

Em Turim, centenas de jovens marcharam gritando palavras de ordem contra o Governo, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, o ministro da Educação, Giuseppe Valditara e o general que se tornou político, Roberto Vannacci, líder do novo partido de extrema-direita Futuro Nacional (FnV).

Alguns professores formaram um cordão de segurança entre os manifestantes e a polícia.

Após os estudantes lançarem pedras e outros objetos à polícia, esta respondeu com canhões de água.

Três menores foram detidos em Turim, por resistência qualificada à autoridade durante o protesto estudantil desta manhã, no centro da capital piemontesa.

A sede da polícia (Questura) relatou o incidente, indicando que foram identificados mais de 50 manifestantes, alguns dos quais com os rostos tapados, cuja conduta será comunicada às autoridades judiciais.

Os três adolescentes detidos foram ainda acusados de posse de armas ofensivas: dois transportavam gás pimenta e um tinha pedras.

Decorreram também manifestações em Génova, Veneza, Pádua e Treviso.

Em Cagliari, o protesto foi denominado "Dia do Não a Meloni".

Durante a marcha estudantil em Roma, perto da Via Marmorata, onde se situa o Ministério da Educação, vários encapuzados lançaram engenhos explosivos improvisados (petardos e pequenas bombas artesanais) e empurraram contentores do lixo para o meio da rua, barrando a estrada.

Garrafas, engenhos explosivos improvisados e o conteúdo de extintores foram arremessados contra os agentes de segurança que acompanhavam a marcha na capital italiana -- uma ação levada a cabo por um pequeno grupo de manifestantes mascarados, segundo a polícia.

Em Verona, um grupo de alunos do Instituto Estatal Giorgi incendiou cinco contentores do lixo e uma trotineta elétrica que estava estacionado nas imediações.

Relatos de testemunhas indicam que não se tratou apenas de uma brincadeira, mas de um ato de protesto, após a aplicação de medidas disciplinares por parte da direção da escola, em resposta a várias brigas ocorridas dentro das salas de aula.

Vinte e um alunos --- 20 dos quais menores --- foram levados para a sede da polícia de Verona e vão responder por danos patrimoniais, lançamento de objetos perigosos e obstrução da via pública.

Uma escola secundária foi vandalizada durante uma ocupação estudantil em Rozzano, perto de Milão.

A câmara municipal de Rozzano "condena veementemente os atos de vandalismo cometidos esta manhã no interior do Instituto Calvino", uma escola secundária situada na populosa localidade, nos arredores da capital da Lombardia, onde estava em curso uma ocupação no âmbito dos protestos.

Em declarações após o Conselho Europeu, em Bruxelas, Meloni instou os partidos da oposição italianos a serem "claros" quanto a esta questão e a condenarem a violência.

"Vejo sempre com bons olhos a mobilização. Mas a violência, como o uso de engenhos explosivos artesanais ou ataques às forças de segurança, é outra história", declarou a chefe do Governo italiano.

"Precisamos de ser claros e estar de acordo quanto a isso. Digo isto, porque estou a ver os comentários dos líderes da oposição sobre os protestos, e não proferiram uma única palavra de condenação. Apelo a todas as forças políticas italianas para que defendam que as manifestações decorram sem violência", vincou.

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