Estudo académico denuncia abusos salariais de estrangeiros na Austrália

por Lusa

Sydney, Austrália, 29 out (Lusa) - Os responsáveis por um estudo académico acusaram hoje a Austrália de tolerar uma "cultura de impunidade" nos pagamentos salariais a trabalhadores temporários estrangeiros, que não se queixam dos abusos por medo de represálias.

"Empregadores sem escrúpulos continuam a explorar os trabalhadores imigrantes porque eles não reclamam", afirmou Bassina Farbenblum, estudante da Universidade de New South Wales, que investigou o caso com Laurie Berg, da Universidade Tecnológica de Sydney.

Segundo o estudo, intitulado `Silent Wage Theft` e sustentado com entrevistas a 4.300 trabalhadores temporários estrangeiros de 107 países, a Austrália é palco de uma grande "subclasse silenciosa" de trabalhadores imigrantes mal pagos.

"Para a maioria dos imigrantes é lógico permanecer em silêncio, o esforço e o risco de tomar uma ação não vale a pena, dadas as baixas possibilidades dos seus salários serem recuperados", denunciou Laurie Berg.

Os trabalhadores imigrantes representam 11% do mercado de trabalho na Austrália e, de acordo com o estudo, um em cada três estudantes internacionais ganha metade do salário mínimo legal, que é de 18,93 dólares australianos por hora (11,80 euros).

O estudo indica que 54% estão abertos para reivindicar os abusos salariais, mas as barreiras mais comuns são a falta de conhecimentos (42%), o esforço envolvido (35%), o medo das consequências da imigração (25%) e o medo de perder o emprego (22%).

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