Estudo confirma menos água em rios, lagos e glaciares

Estudo confirma menos água em rios, lagos e glaciares

Em 2025, os rios de todo o mundo enfrentaram um dos anos mais secos das últimas três décadas. O estudo da Organização Meteorológica Mundial (OMM) avisa que a quantidade de água doce armazenada à superfície ou no subsolo ficou 42 por cento abaixo da média. O ciclo da água está a tornar-se mais errático e imprevisível, por causa dos impactos da crise climática.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Amit Dave - Reuters

Desde o degelo dos glaciares a secas extremas e inundações repentinas, os rios do mundo oscilam entre o excesso e a escassez de água. Para além de 2025 ter sido um dos anos mais quentes de que há registo, só cerca de um terço dos rios teve caudal dentro do intervalo normal. 
Enquanto isso, 36 por cento da área global das bacias hidrográficas registou caudais abaixo ou muito abaixo do normal, conclui este estudo da OMM.

A secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial, Celeste Saulo, avisa que "estamos a esgotar esta 'conta poupança'. O armazenamento global de água em terra firme tem apresentado uma tendência decrescente desde o período de 2014–2016 — um sinal persistente que já dura há uma década." Pelo quarto ano consecutivo, em 2025 cada uma das 19 principais regiões glaciares do mundo perdeu massa de gelo. 
Os glaciares registaram as maiores perdas desde a década de 1990, sendo as perdas mais recentes as mais acentuadas.

A análise que foi feita é uma avaliação abrangente e com base científica de todo o ciclo da água. A OMM considera que as conclusões do estudo são um apelo à ação face ao persistente cenário global de redução dos recursos hídricos.

O estudo é publicado numa altura em que os rios de todo o mundo enfrentam múltiplas ameaças decorrentes das secas provocadas pela crise climática, pela poluição e pela sobre-exploração. Este verão, os níveis de água historicamente baixos no rio Danúbio provocaram uma crise energética sem precedentes na Hungria e na Roménia.
Os grandes rios africanos, como o Nilo, o Níger e o Zambeze, enfrentam ameaças relevantes devido à poluição severa e a secas que reduzem os níveis de água e prejudicam os ecossistemas locais.

Ao longo dos cinco anos abrangidos pela análise da OMM (2021-2025), observaram-se caudais fluviais repetidamente abaixo do normal em grandes áreas das bacias do Amazonas e do Rio da Prata, por exemplo. 
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