Estudo indica que o Gabão abriga cerca de 95.000 elefantes africanos florestais
O Gabão abriga cerca de 95.000 elefantes africanos da floresta, um número superior às estimativas iniciais, colocando este país como um "forte reduto" desta espécie ameaçada, segundo um inquérito divulgado hoje.
Estimativas anteriores colocavam a população em 50.000 a 60.000, cerca de 60% dos restantes elefantes florestais africanos do mundo, sendo que os números revelados agora pelo estudo, da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem de Nova Iorque e dos Parques Nacionais do Gabão, são bastante superiores.
As manadas foram quase dizimadas noutros locais próximos do Gabão, como os Camarões, o Congo e a República Centro-Africana, segundo os investigadores, citados pela agência de notícias Associated Press.
A África Central tem o maior número de elefantes florestais do mundo, embora os números tenham caído mais de 86% num período de 31 anos, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, que cita ameaças crescentes de caça furtiva e perda de habitat.
Este inquérito é a "primeira avaliação nacional baseada no ADN" deste espécie em África, de acordo com os investigadores.
"Encontrámos elefantes distribuídos por quase 90% da área total da superfície do país", disse Emma Stokes, diretora regional da Wildlife Conservation Society África, uma organização que opera o maior e mais antigo programa de conservação no continente.
Segundo a responsável, "o Gabão tem uma cobertura florestal de até 88%", o que "é muito invulgar".
As densas florestas do Gabão, pouco povoadas na bacia do rio Congo, continuam a ser um "último recurso" à espécie, de acordo com novas investigações.
Há anos que os investigadores caminham através da densa vegetação rasteira recolhendo estrume dos elefantes da floresta do Gabão para analisar o ADN de milhares de amostras para determinar o número de elefantes.
No Gabão, os turistas podem ainda ver alguns elefantes nas praias e nas florestas costeiras, mas a maioria dos animais vive em florestas densas, pelo que contá-los é "um trabalho árduo".
Como solução, os investigadores procuram o seu estrume para obter material genético para posteriormente ser analisado.
"O ADN é único para cada indivíduo, o mesmo para os humanos e para os elefantes. Portanto, o ADN é apenas uma ferramenta para nos ajudar a identificar" elefantes através das suas fezes, explicou uma investigadora do projeto, Stéphanie Bourgeois.
Este é o primeiro recenseamento nacional de elefantes do Gabão em 30 anos. Apenas 14% do habitat de elefantes no país tinha sido inquirido na última década, de acordo com os investigadores.
"O Governo do Gabão tem agora uma enorme responsabilidade na conservação dos elefantes florestais face à caça furtiva e, especialmente, aos conflitos entre humanos e elefantes e aos ataques às culturas", disse o investigador do projeto John Poulsen.
Cerca de 65% a 70% de todos os elefantes florestais vivem atualmente no Gabão, segundo o ministro da Água e das Florestas gabonês, Lee White.
Os esforços de conservação incluem campanhas de sensibilização do público e iniciativas para dissuadir os caçadores furtivos transfronteiriços.
"Vê-se isto em toda a África. Os países que perderam os seus elefantes, perderam o controlo dos seus recursos naturais, perderam muitas vezes o controlo dos seus países", disse White.
"Os países que quase não têm elefantes passaram por guerras civis e são muito menos estáveis do que os países que preservaram os seus elefantes", concluiu.
Numa entrevista na conferência sobre o clima em Glasgow (COP26), que terminou na semana passada, o ministro realçou os conflitos entre humanos e elefantes que matam cerca de 10 pessoas por ano. Os civis queixam-se de que os animais comem as suas colheitas e lhes matam familiares.
A explicação avançada pelo ministro está relacionada com o aquecimento global, que reduziu "drasticamente a abundância de frutos florestais nos últimos 40 anos".
"E isso significa que os elefantes estão com fome", concluiu.
Todavia, o ministro indicou que a caça furtiva transfronteiriça de marfim declinou desde que a China proibiu as suas importações.