ETA pede à comunidade internacional para intervir na saída do "conflito"
A organização separatista basca ETA exortou hoje num comunicado as "organizações internacionais" a adoptarem "medidas que considerem adequadas" para dar uma "saída negociada" ao que classifica de "conflito basco", uma solução que considera "possível".
Todavia, a ETA não anuncia uma trégua e o Governo espanhol reiterou que o único comunicado que espera é o que anuncie o fim definitivo da violência.
"A comunidade internacional não pode abstrair-se face à grave situação no País basco", salienta o comunicado.
É por isso que Euskadi Ta Askatasuna (ETA) apela ao conjunto das organizações internacionais e especialmente aquelas que ostentam responsabilidade de governo, para que adoptem as medidas que considerem adequadas em prol de dar uma saída negociada a este conflito" e cita expressamente as instituições europeias.
A 17 de Maio, o Congresso dos deputados (Câmara baixa do parlamento espanhol) autorizou o Governo de José Luís Rodriguez Zapatero a abrir uma via de diálogo com a ETA, caso a organização renuncie às armas.
Todos os grupos da Câmara, à excepção do conservador partido Popular (PP, principal da oposição) apoiaram a moção nesse sentido apresentada pelo partido socialista (no poder).
No comunicado de hoje, a ETA recorda o seu apoio a uma proposta de 2004 de esquerda independentista basca para dar uma saída à situação, que considera um "instrumento válido para alcançar um cenário democrático", e acrescenta que, "nesta linha, está a tentar abrir um processo de negociação com os governos espanhol e francês".
A organização separatista basca assinala que "os principais poderes do Estado espanhol não superaram a crise aberta com as acções armadas" do 11 de Março de 2004 em Madrid, que se atribuiu ao terrorismo islâmico e que causou a morte de 192 pessoas.
Chama a atenção para o "debate em torno do modelo territorial do Estado espanhol" e considera que as autoridades têm que resolver a sua contradição principal: o futuro de Euskal Herría (país basco) e Catalunya (Catalunha) e o reconhecimento dos direitos colectivos destas duas nações".
Fontes do Executivo consultadas pela agência espanhola EFE assinalaram que o Governo "não comenta" as mensagens da ETA.
Sublinharam que "o único comunicado que esperam o Governo e os cidadãos" e que merecerá ser valorizado pelo Executivo "é o do fim definitivo da violência".
Esta posição foi expressa reiteradamente pelo Governo de Zapatero face a outros comunicados da ETA.
Em nenhum momento a organização separatista fala do abandono da luta armada, ponto prévio a qualquer abertura de diálogo com o governo espanhol.
A ETA defende que o processo de resolução do conflito deve compreender três fases: o diálogo, a negociação e um acordo que conduza ao direito à auto-determinação do País basco.
Durante trinta anos de actividade armada da ETA, a organização separatista basca assassinou mais de 800 pessoas.