"Eu sou Charlie"

Paris, Praça da República, perto da sede do Charlie Hebdo, é sem dúvida o coração das vigílias, de repúdio contra o atentado desta manhã contra o jornal satírico e de apoio às vítimas (11 feridos e 12 mortos ) e à liberdade de imprensa. Milhares de pessoas, em silêncio, começaram a reunir-se no local logo a partir das 17h00 locais (16h00 em Lisboa). Nem o frio intenso que se faz sentir na capital francesa, 3 graus, dissuadiu os parisienses.

RTP /
Em Bruxelas, a frase de todas as vigílias "Je suis Charlie" Francois Lenoir/Reuters

Os partidos de esquerda apelam ainda a uma marcha silenciosa, sábado, em Paris. Sob o nome "Je suis Charlie" ("Eu sou Charlie"), difundido primeiro sob a hashtag @jesuischarlie e uma banda negra com estas palavras, através da rede social Twitter, o protesto inspirou vigílias em toda a França e no resto do mundo, particularmente nas capitais da Europa e até Moscovo, mas também no Brasil (S.Paulo e Rio de Janeiro), na Argentina (Buenos Aires), nos EUA (Nova Iorque), no Canadá (Toronto, Montreal), no Peru (Lima) e na Colômbia (Quito).

A cada momento surgem novas manifestações, de acordo com um mapa difundido na internet pelo jornal Le Monde e constantemente atualizado. As manifestações estão marcadas para o fim da tarde de quarta-feira ou manhã de quinta-feira, dia 8 de janeiro.

Em Portugal, o jornalista João Paulo Baltazar convocava através da sua rede Facebook, uma vigília junto à embaixada francesa pelas 19h00 em Lisboa, erguendo uma caneta "pela liberdade contra o medo".

O atentado desta manhã atingiu duramente a comunidade jornalística, com o dizimar de uma redação conhecida pela sua provocação e irreverência política e religiosa. A mobilização em defesa da liberdade de imprensa é também parte integrante do grande apelo nas redes sociais.

Londres, vigília contra atentado em Paris, 7 de janeiro 2015, Reuters
Berlim, vigília contra atentado em Paris, 7 de janeiro 2015, Reuters
Estrasburgo, vigília contra atentado em Paris, 7 de janeiro 2015, Reuters
Londres, Vigília contra atentado em Paris, 7 jeneiro 2015, Reuters
Milhares na rua
De forma mais ou menos espontânea, seguindo apelos de vigília colocados no Facebook e no Twitter, milhares de pessoas organizaram-se para se juntar em  demonstrações de solidariedade com os franceses e em particular com os jornalistas de Charlie Hebdo.

A polícia afirma que mais de 15.000 pessoas saíram à rua em Lion, 10.000 em Toulouse, 7.000 em Marselha. Em Paris, mais de 35.000 juntaram-se próximo da sede do Charlie Hebdo. Em todo o país mais de 100.000 pessoas participaram nas vigílias, afirmaram as autoridades pouco antes das 20h00 em Portugal.

Os manifestantes erguem cartazes com a frase "Je suis Charlie" mas também "Charb morre livre", referindo-se ao jornalista, cartoonista e diretor do semanário, Stéphane Charbonnier, de 47 anos, morto no ataque e que dizia preferir morrer de pé a viver de joelhos.

"A liberdade de imprensa não tem preço", lia-se num outro cartaz.

Berlim, vigília contra atentado em Paris, 7 de janeiro 2015, Reuters
Polícias nova-iorquinos cumprem um minuto de silêncio pelas vítimas do atentado contra o Charlie Hebdo, 7 de janeiro de 2015, Reuters
Nantes, vigília contra atentado em Paris, 7 de janeiro 2015, Reuters
Ações de repúdio multiplicam-se
Os painéis publicitários da empresa JCDecaux ostentavam ao fim da tarde igualmente a frase do dia "Je suis Charlie". A página de entrada da Google colocou uma fita negra dobrada como seu símbolo de acolhimento, em sinal de luto e de solidariedade.

Desde as 12h30 multiplicaram-se ainda na rede social Twitter o número de mensagens de apoio a Charlie. Pelas 18h30 eram mais de 650.000. A organização Repórteres Sem fronteiras apelou ainda os media do mundo inteiro a publicarem cartoons de Charlie nas suas edições de quinta-feira.

Em Paris, as bandeiras francesa e da União Europeia foram colocadas a meia-haste e o ministério francês do Interior ordenou que o mesmo sucedesse em todas as prefeituras e sub-prefeituras francesas.

Em Berlim a manifestação juntava ao início da noite mais de 500 pessoas sob um frio cortante. Em Nova Iorque, o mayor Bill de Blasio pediu "um minuto de silêncio" pelas vítimas do ataque.
União em defesa da liberdade
Em Roma, o chefe de governo Matteo Renzi, deslocou-se à embaixada francesa, onde declarou "somos todos franceses".

Em francês, disse que "somos todos franceses porque pensamos que a liberdade é a única razão de ser da Europa e dos cidadãos europeus"."Não é possível permitir que o terrorismo ganhe o seu desafio contra a liberdade e a razão." Matteo Renzi

"Toda a Europa deverá enviar uma mensagem de união muito, muito forte contra todos os extremismos", declarou.

"A luta pela liberdade é a causa mais importante de hoje", concluiu Renzi, apelando ainda à união das instituições europeias para expulsar os "elementos de ódio e de medo que se manifestaram em Paris".

Para o reitor da principal mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, o atentado foi "um golpe que atinge todos os muçulmanos".
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