Mundo
EUA atacam Caracas e capturam Maduro. O que aconteceu e o que se segue na Venezuela?
Após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas, o futuro da liderança na Venezuela é incerto. A Casa Branca afirmou que irá gerir o país até que haja transição de regime.
Os Estados Unidos encetaram este sábado uma operação cirúrgica que culminou com captura do presidente venezuelano. Donald Trump disse que será Washington a “assumir o controlo” do país até que haja uma transição de poder, adiantando que conta com a colaboração da vice-presidente do país. Mas Delcy Rodriguez rejeitou qualquer acordo e assegurou que Nicolás Maduro continua a ser o único líder da nação sul-americana.
Pelas 2h00 locais (6h00 em Lisboa) de sábado, foram ouvidas várias explosões na capital da Venezuela. Após vários meses de tensão no Mar das Caraíbas e de provocações entre Trump e Maduro, os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano numa operação especial da Força Delta.
Com o nome de código “Resolução Absoluta”, a operação foi “discreta e precisa”, tendo contado com a mobilização de mais de 150 aeronaves, adiantou o chefe do Estado-Maior norte-americano.
Houve registo de explosões em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, que alberga o Ministério da Defesa, mas também habitações urbanas onde residem milhares de famílias.
O complexo de La Carlota, aeroporto militar e privado, registou explosões, assim como La Guaira, Maracay, capital do estado de Aragua e em Higuerote.
Maduro extraído para Nova Iorque para ser julgado
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro foi capturado no decorrer desta operação. Segundo o presidente norte-americano, o líder venezuelano estava “num local muito bem guardado”, como “uma fortaleza”. Ainda tentou refugiar-se numa zona de alta segurança, mas acabou por não conseguir. Foi detido em conjunto com a mulher, Cilia Flores.
“Renderam-se sem resistência”, afirmou o chefe do Estado-Maior dos EUA. O casal foi retirado num navio de guerra norte-americano com destino a Nova Iorque, onde enfrenta acusações por “narcoterrorismo”. Ainda no sábado, pelas 17h00 locais (22h00 em Lisboa), Maduro e a mulher aterraram em Nova Iorque, na Base Aérea de Stewart, em Newburgh.
Na rede Truth Social, Donald Trump publicou uma fotografia de Nicolás Maduro algemado e com os olhos vendados, afirmando que seguia a bordo do navio USS Iwo Jima.
Em conferência de imprensa a partir de Mar-a-Lago, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos iriam “assumir o controlo” da Venezuela até que esteja assegurada uma transição de poder “segura, apropriada e sensata”.
Segundo o presidente norte-americano, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, disse estar pronta para cooperar com os Estados Unidos para uma transição de poder.
"O Marco [Rubio] acabou de falar com ela e ela está pronta para fazer o que considerarmos necessário para que isto funcione", disse Donald Trump em conferência de imprensa.
No entanto, poucas horas depois, a vice-presidente da Venezuela afirmou que Nicolás Maduro continua a ser “o único e legítimo presidente da Venezuela”.
Delcy Rodríguez declarou ainda que o líder do país foi raptado e rejeitou qualquer colaboração com Washington para que fosse ela a assumir a liderança da Venezuela. Em declarações ao país, acusou os EUA de uma invasão com fins de “mudança de regime” e exigiu a libertação de Maduro.
"Estamos a acompanhar em permanência e desde o primeiro momento a situação na Venezuela, com atenção particular à segurança e ao bem-estar da nossa comunidade", assegurou o chefe de Governo.
Acrescentou que a Embaixada de Portugal em Caracas e a rede consular no país "estão plenamente mobilizadas para acompanhar os nossos concidadãos".
Luís Montenegro diz que as autoridades portuguesas estão focadas "no futuro e no restabelecimento de uma democracia plena onde os venezuelanos escolham livremente o seu futuro".
Marcelo Rebelo de Sousa fez saber que a situação na Venezuela será discutida no próximo Conselho de Estado, a 9 de janeiro, e o MNE português adiantou que a preocupação principal é “sempre com a comunidade portuguesa”.
“As informações que temos é que a comunidade está serena e, obviamente, desejosa também de clarificação sobre o futuro”, acrescentou Paulo Rangel.
Adiantou ainda que o Governo português espera que se avance "rapidamente para a devolução de um processo democrático e de transição democrática à Venezuela".
Pelas 2h00 locais (6h00 em Lisboa) de sábado, foram ouvidas várias explosões na capital da Venezuela. Após vários meses de tensão no Mar das Caraíbas e de provocações entre Trump e Maduro, os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano numa operação especial da Força Delta.
Com o nome de código “Resolução Absoluta”, a operação foi “discreta e precisa”, tendo contado com a mobilização de mais de 150 aeronaves, adiantou o chefe do Estado-Maior norte-americano.
Houve registo de explosões em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, que alberga o Ministério da Defesa, mas também habitações urbanas onde residem milhares de famílias.
O complexo de La Carlota, aeroporto militar e privado, registou explosões, assim como La Guaira, Maracay, capital do estado de Aragua e em Higuerote.
Maduro extraído para Nova Iorque para ser julgado
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro foi capturado no decorrer desta operação. Segundo o presidente norte-americano, o líder venezuelano estava “num local muito bem guardado”, como “uma fortaleza”. Ainda tentou refugiar-se numa zona de alta segurança, mas acabou por não conseguir. Foi detido em conjunto com a mulher, Cilia Flores.
“Renderam-se sem resistência”, afirmou o chefe do Estado-Maior dos EUA. O casal foi retirado num navio de guerra norte-americano com destino a Nova Iorque, onde enfrenta acusações por “narcoterrorismo”. Ainda no sábado, pelas 17h00 locais (22h00 em Lisboa), Maduro e a mulher aterraram em Nova Iorque, na Base Aérea de Stewart, em Newburgh.
Na rede Truth Social, Donald Trump publicou uma fotografia de Nicolás Maduro algemado e com os olhos vendados, afirmando que seguia a bordo do navio USS Iwo Jima.
Em conferência de imprensa a partir de Mar-a-Lago, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos iriam “assumir o controlo” da Venezuela até que esteja assegurada uma transição de poder “segura, apropriada e sensata”.
O Presidente norte-americano acrescentou que Washington estava pronta a lançar "um segundo ataque mais importante se necessário" e também “não tem medo de enviar tropas para o terreno”.
Anunciou ainda que as grandes petrolíferas norte-americanas vão investir massivamente na Venezuela num futuro pós-Maduro, mas que para já se mantém o embargo ao petróleo do país.
Delcy Rodriguez contradiz TrumpSegundo o presidente norte-americano, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, disse estar pronta para cooperar com os Estados Unidos para uma transição de poder.
"O Marco [Rubio] acabou de falar com ela e ela está pronta para fazer o que considerarmos necessário para que isto funcione", disse Donald Trump em conferência de imprensa.
No entanto, poucas horas depois, a vice-presidente da Venezuela afirmou que Nicolás Maduro continua a ser “o único e legítimo presidente da Venezuela”.
Delcy Rodríguez declarou ainda que o líder do país foi raptado e rejeitou qualquer colaboração com Washington para que fosse ela a assumir a liderança da Venezuela. Em declarações ao país, acusou os EUA de uma invasão com fins de “mudança de regime” e exigiu a libertação de Maduro.
"Estamos prontos para defender a Venezuela", acrescentou a vice-presidente venezuelana, que exigiu que o presidente seja devolvido ao país e que sejam respeitadas as regras e a soberania venezuelana.
Para já, Donald Trump afastou por completo a hipótese de entregar a liderança do país a María Corina Machado. O presidente norte-americano afirmou, na conferência de imprensa a partir da Florida, que a Nobel da Paz de 2025 não tem "o apoio ou o respeito" necessários por parte do povo venezuelano para ldierar os destinos do país.
"É uma mulher muito simpática, mas não inspira respeito", afirmou Trump.
Autoridades atentas à comunidade portuguesa
Na reação às primeiras notícias do ataque norte-americano, o Governo português aconselhou a numerosa comunidade portuguesa a não sair de casa perante a instabilidade e a incerteza no país.
A estimativa atual é de que residam cerca de 600 mil portugueses e luso-descendentes na Venezuela. Nos serviços consulares do país estão registadas 218 mil pessoas.
Durante a tarde, o primeiro-ministro Luís Montenegro esteve reunido com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. "Estamos a acompanhar em permanência e desde o primeiro momento a situação na Venezuela, com atenção particular à segurança e ao bem-estar da nossa comunidade", assegurou o chefe de Governo.
Acrescentou que a Embaixada de Portugal em Caracas e a rede consular no país "estão plenamente mobilizadas para acompanhar os nossos concidadãos".
Luís Montenegro diz que as autoridades portuguesas estão focadas "no futuro e no restabelecimento de uma democracia plena onde os venezuelanos escolham livremente o seu futuro".
Marcelo Rebelo de Sousa fez saber que a situação na Venezuela será discutida no próximo Conselho de Estado, a 9 de janeiro, e o MNE português adiantou que a preocupação principal é “sempre com a comunidade portuguesa”.
“As informações que temos é que a comunidade está serena e, obviamente, desejosa também de clarificação sobre o futuro”, acrescentou Paulo Rangel.
Adiantou ainda que o Governo português espera que se avance "rapidamente para a devolução de um processo democrático e de transição democrática à Venezuela".