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EUA ausentes de declaração de apoio ao relatório que confirma fome em Gaza

EUA ausentes de declaração de apoio ao relatório que confirma fome em Gaza

Catorze dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU declararam apoio ao trabalho e metodologia do Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC) no relatório que confirmou a fome em Gaza, destacando-se a ausência dos EUA.

Lusa /

"Expressamos o nosso profundo alarme e angústia com os dados do IPC sobre Gaza, publicados na última sexta-feira. Confirma clara e inequivocamente a fome na província de Gaza. Confiamos no trabalho e na metodologia do IPC", pode ler-se num comunicado conjunto divulgado na quarta-feira.

O texto foi assinado pela Argélia, China, Dinamarca, França, Grécia, Guiana, Paquistão, Panamá, Coreia do Sul, Rússia, Serra Leoa, Eslovénia, Somália e Reino Unido. Apenas Washington ficou de fora.

Na semana passada, e pela primeira vez no Médio Oriente, a ONU declarou um cenário de fome em parte do território da Faixa de Gaza e disse que a situação podia ter sido evitada se não fosse "a obstrução sistemática de Israel".

O IPC (sigla em inglês), um organismo da ONU com sede em Roma, confirmou que uma situação de fome estava em curso em Gaza.

Na declaração de quarta-feira, os 14 Estados-membros manifestaram ainda alarme com o facto de que a fome está projetada para se expandir para Deir al-Balah e Khan Yunis até ao final de setembro.

"Espera-se que pelo menos 132.000 crianças sofram de desnutrição aguda entre agora e junho de 2026. (...) Tudo isso enquanto centenas de camiões carregados de ajuda que salva vidas estão travados a uma curta distância", salienta-se na nota.

"Esta é uma crise provocada pelo Homem. O uso da fome como arma de guerra é claramente proibido pelo direito internacional humanitário. A fome em Gaza deve ser interrompida imediatamente", instaram.

Tendo em conta o cenário catastrófico em Gaza, os países lançaram três apelos: um cessar-fogo imediato e a libertação incondicional de todos os reféns; que Israel levante imediata e incondicionalmente todas as restrições à entrega de ajuda; e que Israel que reverta imediatamente a sua decisão de tomar a cidade de Gaza.

Apesar dos apelos e das constatações do IPC, a embaixadora norte-americana junto da ONU, Dorothy Shea, acusou na quarta-feira os autores do relatório de falta de credibilidade e integridade.

Embora reconhecendo que "há um problema real de fome em Gaza", Shea defendeu que os critérios que a ONU usa para declarar fome "não passam no teste".

A diplomata replicou ainda as acusações israelitas de que a ajuda humanitária transportada pela ONU cai frequentemente nas mãos de saqueadores enviados pelo grupo islamita palestiniano Hamas, uma alegação repetidamente negada pela ONU.

Também o embaixador de Israel junto da ONU, Danny Danon, alegou que o relatório sobre a fome em Gaza foi "fabricado" de forma a "demonizar" Telavive.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita exigiu que as Nações Unidas retirem de imediato esse relatório, acusando o organismo da ONU de ser "uma instituição de investigação politizada", e ameaçou que, se o relatório não for retirado, partilhará "provas da sua má conduta com todos os doadores" da entidade.

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