EUA concluem que presença do grupo Wagner na Ucrânia já não é significativa

EUA concluem que presença do grupo Wagner na Ucrânia já não é significativa

Um porta-voz do Pentágono afirmou na quinta-feira que os mercenários do grupo Wagner já não estão a apoiar as tropas russas na Ucrânia com "qualquer capacidade significativa". Por sua vez, em entrevista a um jornal russo, Vladimir Putin disse que o grupo Wagner "simplesmente não existe".

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Alexander Ermochenko - Reuters

“Nesta altura, não vemos as forças do Wagner a participar com qualquer capacidade significativa em apoio às operações de combate na Ucrânia”, disse o porta-voz do Pentágono, Pat Ryder, esta quinta-feira em conferência de imprensa.

A maioria dos mercenários do grupo Wagner ainda continua, porém, em território ucraniano ocupado pela Rússia.

As informações surgem semanas após o motim de 24 horas do Wagner na Rússia, naquele que foi o maior desafio à autoridade do presidente russo, Vladimir Putin, desde que este assumiu o poder.

Sob o acordo que pôs fim à rebelião, que contou com a mediação do presidente bielorrusso, os combatentes do Wagner, liderado por Yevgeny Prigozhin, foram informados que poderiam ingressar no exército russo ou exilar-se na Bielorrússia.

Em entrevista ao jornal russo Kommersant, publicada na noite desta quinta-feira, Putin confirmou que a integração dos mercenários no exército russo foi uma das ofertas que esteve em cima da mesa durante a reunião que manteve com alguns dos combatentes e Prigozhin no final do mês passado, cinco dias após a rebelião.

De acordo com o jornal, Putin disse aos mercenários que poderiam integrar o exército russo e continuar sob o comando do atual comandante.

"Todos eles poderiam ter-se reunido num só lugar e continuado no seu serviço", escreveu o Kommersant, citando o presidente russo. "E nada teria mudado. Eles teriam sido liderados pela mesma pessoa que tem sido o seu verdadeiro comandante o tempo todo”, acrescentou.


Uma vez que Putin é o comandante-chefe do exército, ele parecia estar a insinuar que os mercenários permaneceriam sob o seu comando, como sempre estiveram. No entanto, outras fontes garantem que Putin se estava a referir a Prigozhin.

“Muitos deles concordaram com a minha oferta”, disse Kommersant, citando Putin. Prigozhin terá, contudo, recusado.

"Prigozhin disse: ‘Não, eles não vão concordar com tal decisão’", disse Putin, segundo o Kommersant.
“O grupo Wagner não existe”
Ainda de acordo com a notícia do Kommersant, Putin foi depois questionado sobre se o grupo Wagner seria mantido como uma unidade de combate, mesmo após a rebelião.

Putin salientou que não existe base legal para organizações militares privadas e, com isto, foi claro: “O Wagner não existe”.

"O grupo existe, mas legalmente não existe”, disse Putin na entrevista. "Não temos uma lei para organizações militares privadas. Simplesmente não existe!", reiterou, afirmando que esta é uma questão que deve ser discutida na Duma Federal.


Na quinta-feira, o Wall Street Journal avançou que altas patentes militares russas, incluindo um ex-comandante das forças de Moscovo na Ucrânia, foram detidas na sequência da rebelião do grupo Wagner.

Entre os detidos está o general Sergei Surovikin, que comandou as forças russas na Síria.

Surovikin não é visto em público desde o motim do grupo Wagner. Na quarta-feira, Andrey Kartapolov, chefe do Comité de Defesa da Duma Federal da Rússia, disse apenas que o general Surovikin “está a descansar”.

Na semana após o motim do grupo Wagner, o New York Times noticiou que Surovikin “tinha conhecimento prévio dos planos de Yevgeny Prigozhin de se rebelar contra a liderança militar da Rússia”.
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