EUA criticam corte de gás por criar insegurança energética

Os Estados Unidos criticaram hoje a decisão da Rússia de cortar o fornecimento de gás à Ucrânia, por considerarem que a medida gera uma "insegurança energética" na região.

Agência LUSA /

"Uma medida tão brutal cria insegurança no sector energético da região e levanta a séria questão do recurso à energia para exercer pressão política", declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, num comunicado divulgado em Washington.

"Como transmitimos à Rússia e à Ucrânia, somos favoráveis a uma evolução no sentido dos preços de mercado, mas pensamos que essa mudança deve ser gradual e não repentina e unilateral", prosseguiu o porta-voz.

Acrescentou que os Estados Unidos esperam que as duas partes cheguem a um acordo "que tenha por objectivo a segurança no sector energético".

A petrolífera estatal russa Gazprom anunciou hoje de manhã o corte do fornecimento de gás à Ucrânia, depois de o Governo ucraniano ter recusado a última proposta russa, que previa a manutenção dos preços actuais apenas durante os primeiros três meses de 2006.

O diferendo entre os dois países surgiu depois de a Gazprom anunciar a intenção de mais do que quadruplicar o preço do combustível fornecido à Ucrânia, passando dos actuais 50 dólares para 230 dólares por cada 1.000 metros cúbicos.

A Rússia lidera o mercado mundial do gás natural, sendo responsável por mais de 20 por cento da produção total - cerca de 600 mil milhões de metros cúbicos por ano, 80 por cento dos quais extraídos pela Gazprom.

Os Estados Unidos são um dos principais aliados do presidente ucraniano, Viktor Iuchtchenko, eleito após a "Revolução Laranja" (2004) que depôs o presidente pró-russo Leonid Kutchma e alvo de fortes críticas da Rússia pela sua aproximação a estruturas ocidentais, como a NATO e a União Europeia.

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